Inteligência emocional em tempos de home office: como sobreviver?

Inteligência emocional em tempos de home office: como sobreviver?

Fredy Figner*

29 de março de 2020 | 07h00

Fredy Figner. FOTO: DIVULGAÇÃO

Neste momento de pandemia as doenças psicológicas podem aumentar, especialmente com as rápidas mudanças que todos estamos enfrentando. No campo profissional, trabalhar home office exige algumas adaptações e cuidados para não transformar a rotina angustiante e reforçar as  crises depressivo ansiosas, bem como os transtornos, que em muito precedem as crises, como, por exemplos,  o toc (transtorno obsessivo e compulsivo). Sendo assim, para aqueles que se submetem  a algum tratamento psicológico ou psiquiátrico é fundamental a continuidade dos mesmos, pois o avanço tecnológico nos propicia fazê-lo com qualidade e ética, tendo no processo de terapêutico online uma ferramenta eficaz e reconhecida pelo conselho da categoria. Ou seja, não pare o seu tratamento.

No meio social, há interação entre as pessoas continuamente,  e o isolamento imposto  pode gerar um grande impacto no âmbito da qualidade de vida,  aumentando o nível de estresse que pode impactar no sistema imunológico e em muito na saúde mental para uma nova realidade, mesmo por curto período.

Contudo, faz-se necessário alguns cuidados para melhor adequação da rotina profissional frente as atuais condições.  Solidariedade é primordial  neste momento. Continuar entregando é a melhor forma de ajudar a empresa e dar manutenção a nossa empregabilidade. Home Office não é férias e nem sinônimo de indisciplina. O defensor do conceito de inteligência Emocional, o psicólogo Daniel Goleman, afirma que “as emoções são contagiosas”. Todos sabemos disso por experiência. Depois de um bom café com um amigo, você se sente bem. Quando encontra um balconista rude em uma loja, se sente mal. Deste modo, se torna  importante  estimular o gerenciamento das emoções positivas neste momento de isolamento social.

Preparação psicológica para trabalhar em Home Office. Ela existe? Sim. Uma dica de ouro é criar uma rotina de trabalho dentro de casa. Isso mesmo As mesmas oito horas que você estaria trabalhando dentro da empresa podem cumpridas dentro de casa. Caso falte trabalho e  tempo, utilize-o para se aprimorar profissionalmente. Várias instituições estão liberando cursos, livros, materiais para você primar pela sua saúde mental. Faça intervalos e coloque músicas ou pequenos vídeos que gerem bem estar e satisfação. Trabalhar muito acima da sua carga de trabalho, pode gerar cansaço e fadiga. Equilibre-se.

Filhos em casa significa espaço sendo dividido. Como recomendação crie atividades que motivem as crianças a encarar este momento como uma oportunidade de estreitar laços perdidos, muitas vezes por uma rotina sobrecarregada. Permita-se entrar no universo de seus filhos,  estudos, brincadeiras, jogos de tabuleiro, limpeza do ambiente e demais atividades que ocupem as crianças e estimulem  o senso de disciplina cada vez mais. Permita-se entender a atual oportunidade.

Preparação do espaço: É provável que sua casa não esteja preparada para o formato home office. Entretanto, adequar a mesa, luz, espaço, cadeira e tudo que se necessita para desempenhar o trabalho dentro de casa, só irá facilitar a sua sensação de bem estar e comodidade. Trabalhar sem um preparado ou de forma desorganizada, só irá aumentar o nível de desconforto e stress. Para os apartamentos mais amplos fica mais fácil para fazer a estação do trabalho e do entretenimento para as crianças, já para os menores a disciplina e respeito mútuo devem ser acordados anteriormente e com todos. O momento pede trabalho em equipe e empatia.

Autocuidado e amor próprio: Não consuma a “hiper informação”. Evite ser um depositório de informações negativas de todos os tipos de mídia, confie em duas fontes e desconsidere o volume de informações. As chamadas Fake News são muitas e o bom senso deve permanecer. Cuidado para não cair num looping de dezenas de fontes infundadas. As pessoas estão apavoradas e uma das estratégias utilizadas será a fala, por isso, quando as pessoas desabafam elas se sentem melhores, pois ocorre uma forma de alívio. Saiba escutar, mas também a respeitar o seu limite. Quando perceber que seus pensamentos negativos estão drenando a sua energia dentro de casa, utilize algumas destas estratégias. O Ministério da Saúde está disponibilizando um número de WhatsApp (61-99289-4640) para envio de mensagens da população.

Faça uma autoavaliação diária: Durante este período de isolamento pergunte-se todos os dias: hoje, de  0 a 10 o quanto estou bem? Caso perceba que o índice é muito baixo, procure estratégias para sentir-se melhor. Veja algumas dicas:

– Ocupar o tempo fazendo o desapego e separando tudo que não usa para doação. O que está em excesso ou desuso na minha casa?

Substitua programas de televisão e as notícias ruins para aprender algo novo e prazeroso. O que você gostaria de aprender e nunca teve tempo?

Mantenha o corpo ativo e em movimento- Quais canais no Youtube ou profissionais estão liberando aulas online?

Neste momento caso sinta necessidade, faça terapia online. Existem profissionais que estão atendo de forma voluntária. Mas tenha bom senso para deixar o espaço para quem realmente é carente e não pode pagar. Eu posso pagar um profissional para investir em minha saúde psicológica no momento?

Faça happy hour online- Reúna os amigos e faça um encontro virtual para se divertir e se apoiar. Quais pessoas eu tanto gosto e não falo a um bom tempo?

Elimine o pensamento de vitimismo. Você está em casa para se proteger e aos outros. Estou em casa preso ou me preservando para poder depois sair com saúde e com a consciência tranquila?

Cuidado com excessos: comprar, remédios, comida, bebida, cigarro, etc. Eu realmente preciso aliviar a minha ansiedade desta forma? Existem outras formas de me gerar prazer sem excessos? Fale com pessoas especiais para você uma vez por dia. Não caia no ostracismo dentro de casa. Com quem eu vou dar e buscar apoio hoje?

Parcimônia é a palavra-chave para tudo. Respeite a si e respeite o outro. E vamos passar por essa fase logo logo, mais maduros, certamente.

*Fredy Figner é psicólogo, coach e treinador de equipes

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