Inteligência artificial: uma análise sobre o impacto dos dados no setor empresarial

Melissa Penteado*

17 de agosto de 2021 | 05h30

A máxima de que “Data is the new Oil” não é à toa. Apenas para ilustrar, segundo estudos da VisualCapitalist.com, em um minuto são feitas mais de 147 mil uploads de fotos só no facebook, são transmitidas mais de 41 milhões de mensagens por whatsapp, e transacionados financeiramente mais de 1 milhão de dólares, tudo isso elevando exponencialmente a geração de novas informações. O famoso Big Data hoje dobra de tamanho a cada dois anos, sendo que no último biênio gerou um volume de dados tão significativo que superou tudo que já fora criado na história da humanidade; algo na casa de 350 zettabytes.

Claramente, não é de hoje que os dados são analisados para auxiliar nas tomadas de decisão, definir estudos, pesquisas e extrair valor. Fato é que, com a adoção de processos de transformação digital pelas companhias, ainda mais acelerada pela própria pandemia, tem permitido que mais rastros digitais possam ser minerados e corroborem com análises mais assertivas, auxiliando na definição de estratégias e políticas negociais.

A evolução tecnológica, com melhor adequação de sua infraestrutura, tem permitido o acesso à internet de forma mais barata e capilarizada. Hoje já são mais de 4,5 bilhões de usuários no mundo. Portanto, é lógico pensar que adentramos uma era onde a cada dia, mais paradigmas estão sendo quebrados. Uma amostra disso é a liberdade de se abrir uma conta corrente sem a necessidade de estar presente fisicamente. Quando imaginaríamos que seria possível uma instituição financeira poder ofertar seguramente, produtos e serviços à distância, cumprindo todos seus protocolos de governança e com muita eficiência?

Não é só esse dogma que foi ressignificado, mais do que evolução, a revolução da tecnologia tem permitido que custos sejam revistos e o fomento à concorrência seja estimulado. Tanto assim que entidades regulatórias e legislativas têm avançado nessa corrida para equalização ao mundo factual, proporcionando a quebra da inércia e instigando a inovação nas empresas em adaptarem seus modelos de negócios para ofertarem melhores e sustentáveis soluções ao público consumidor, como forma de se manterem perenes no mercado.

E nessa famigerada corrida, a “infoxicação” – terminologia usada para a intoxicação de excesso informacional – gera o impulsionamento para que as corporações tratem, analisem, interpretem e obtenham resultados, se tornando um desafio universal. Custos não podem e nem devem se elevar. Isso colocaria à prova todo e qualquer esforço para chegar na ponta com um serviço atrativo. Logo, é nesse contexto que a Inteligência Artificial toma força. Chegamos aos limites de análises conclusivas por meio de simples sinapses cerebrais. Contudo há saídas, ao contarmos com a robustez e complementaridade de um “cérebro artificial”. Em simples e livre interpretação, a IA nada mais é do que um reforço para perceber, racionar e aprender como a mente humana. Essa metodologia deve ser treinada e programada otimizando conclusões diagnósticas focadas num objetivo determinado.

Entender o que é Inteligência Artificial (IA) é essencial para as empresas que desejam se modernizar. Isso porque ela é uma das principais tecnologias disruptivas da atualidade, tendo o potencial de modificar consideravelmente o modo de funcionamento das organizações e relacionamento entre as partes. Vai além da automação mecânica, englobando processos cognitivos, que geram uma capacidade de aprendizado. Um sistema de Inteligência Artificial consegue realizar atividades não apenas repetitivas, numerosas e manuais, como também as que demandam análise e tomada de decisão.

Pode até parecer ficção ou mais um daqueles capítulos de séries hollywoodianas. No entanto, já tem se tornado tão comum e ousaria dizer, natural, que um usuário final mal percebe que por trás de uma simples indicação de qual tipo de refeição você pode pedir da próxima vez, ou qual rota seguir numa navegação de seu app favorito, esteja aí embarcado a inteligência de dados por meio do uso consistente da inteligência artificial. E as ofertas são ainda mais vastas. Ao nos aprofundarmos para o universo corporativo, analisar uma base de clientes a partir de seu portfólio legado, adequar soluções e campanhas para expansão de vendas, criterizar políticas de prevenção à fraude, de elegibilidade do cliente e escoragem de crédito, além de processos de compliance e cobrança mais acurados, tudo isso com interoperabilidade entre áreas e focados em mitigar risco e potencialização de resultados, essa ciência que parecia ser apenas presente nos processos científicos da Nasa, estão cada vez mais presentes e adequados aos orçamentos das companhias. Então vemos que, se por um lado a tecnologia aumenta o sarrafo da qualidade analítica, por outro empodera empresas de qualquer porte e até novos incumbentes a um patamar isonômico de competitividade.

Portanto, se uma empresa necessita urgentemente revisitar alguns conceitos, porém ao mesmo tempo está preocupada com custos, tempo de adaptação e o quanto isso pode ser um desafio cultural, isso não é motivo de preocupação. O mais importante é não procrastinar e aproveitar para entrar nesse movimento que não é mais visto com apelo sexista; veio para ficar, consolidando a cultura datadriven, desmistificando ainda mais processos e conceitos sobre  eficácia operacional e financeira.

*Mellissa Penteado, CEO da proScore e organizadora do evento Score Summit 2021

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