Instituto Lula diz que PF alterou senha de e-mails

Instituto Lula diz que PF alterou senha de e-mails

Advogados do instituto alegam que funcionários estão sem acesso ao correiro eletrônico e pedem ao juiz Sérgio Moro que PF forneça nova senha

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

09 de março de 2016 | 09h51

SP - LAVA JATO/24ª FASE/LULA - POLÍTICA - Soldados da Polícia Federal realizam ação no Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (4), como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. A ação também ocorre no prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, também conhecido como Lulinha. Essa fase da operação foi batizada de Aletheia. Lula foi alvo de mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor). 04/03/2016 - Foto: MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO/PAGOS

Agentes da Polícia Federal no Instituto Lula durante a 24ª fase da Lava Jato. Foto: MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em petição encaminhada nesta terça-feira, 8, ao juiz Sérgio Moro, a defesa do Instituto Lula alega que a Polícia Federal alterou a senha do administrador de e-mails da entidade nas buscas realizadas na última sexta-feira, 4. Diante disso, a entidade pede que a PF forneça a nova senha do correio eletrônico do Instituto.

“Funcionários do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva não mais conseguem acesso aos seus e-mails, o que vem inviabilizando as atividades corriqueiras do Requerente”, alega a defesa no documento encaminhado à Justiça Federal no Paraná. Segundo a defesa, a senha para acesso aos e-mails foi fornecida aos agentes da PF no dia da operação, que tinha entre as ordens judiciais a quebra de sigilo das mensagens eletrônicas de funcionários da entidade.

Documento

Chamada de Aletheia em referência à expressão grega “busca da verdade”, a 24ª fase da Lava Jato envolveu cerca de 200 policiais que cumpriram 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor pela Polícia Federal -, incluindo o ex-presidente Lula, alvo principal da Aletheia. As ordens foram cumpridas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

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Nesta etapa da operação, os investigadores da Lava Jato apuram as suspeitas de que o ex-presidente teria recebido propinas de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobrás por meio de pagamentos ao Instituto e à empresa de palestra de Lula, LILS, e também por meio de obras feitas por empreiteiras investigadas em um tríplex no Guarujá e em um sítio em Atibaia frequentado pelo petista.

Procurada pela reportagem nesta manhã, a Polícia Federal no Paraná informou que ainda não foi notificada do pedido da defesa do instituto e que ainda não irá se manifestar sobre o episódio.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA FEDERAL

“Conforme decisão do juiz Sérgio Moro somente foram extraídos os emails expressamente autorizados pelo juízo, tanto que durante a busca se vislumbrou a necessidade de se ampliar para novos emails e para tanto foi providenciado um novo mandado. Nenhum procedimento foi realizado fora dos parâmetros estabelecidos nos mandados de busca.”

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