Instantes sabáticos

Instantes sabáticos

Cassio Grinberg*

06 de junho de 2021 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Sempre me fascinaram as histórias de pessoas que tiraram um “ano sabático”. Pessoas que, por um período, deixaram seus empregos para perseguir um outro tipo de sonho — seja ele estudar, viajar, escrever um livro, prototipar uma ideia, aprender a tocar um instrumento ou mesmo exercer uma atividade voluntária.

Eu mesmo tirei meu ano sabático em 1996. Tendo juntado algum dinheiro e tendo a sorte de poder contar com uma importante ajuda de meus pais, embarquei para a Londres em que surgiam o Oasis e a doença da Vaca Louca para fazer uma pós-graduação na minha área e também trabalhar, fazer amigos estrangeiros, ler romances em inglês, ir a shows, beber Guiness, provar batata-frita com vinagre, escrever cartas à mão, namorar e, claro, viajar bastante.

No entanto, sei das dificuldades deste tipo de projeto: falta dinheiro, falta senso de aventura, falta tempo (sempre faltará tempo até que a gente faça tempo). Eu mesmo fiz isso apenas uma vez, mas sabe o que mais pode ser feito, e que, na soma, pode ter um efeito bem interessante? Tirarmos instantes sabáticos.

Coloque na sua rotina um instante sabático, ou até alguns, por dia. Uma hora, meia hora, quinze minutos que seja para escutar música, ler poesia, fazer exercício, cozinhar, estudar, brincar com os filhos, meditar, transar, agradecer — e depois volte para a pauta. Em tempos de home office, e parece que o futuro nos reserva um modelo híbrido, fica até mais fácil gerenciar positivamente o tempo.

Algumas empresas mais fora da curva, como a Netflix, permitem um gerenciamento de tempo mais individualizado, com novos tipos de controle sobre a produtividade. A Patagonia, fabricante de roupas e equipamentos para escalada, tem uma política “Go Surfing” de permitir que os colaboradores parem tudo para ir surfar, com a premissa de que o mar não marca hora para ter boas ondas e que, no retorno, a gente vem revigorado para criar.

Crie um novo “estado de espírito” — no final das contas é disso mesmo que estamos falando — e estimule que pessoas do time também façam isto. Mesmo que não possamos tirar um ano sabático, quando abrimos tempo para cuidar de nós mesmos, nos reconectamos com instantes de felicidade, com instantes somente nossos.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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