Inquérito Moro x Bolsonaro: ex-diretor de Inteligência e ex-chefe da PF no Rio depõem nesta terça

Inquérito Moro x Bolsonaro: ex-diretor de Inteligência e ex-chefe da PF no Rio depõem nesta terça

Delegados Carlos Henrique Oliveira e Claudio Ferreira Gomes prestam depoimentos na tarde desta terça, 19, a partir das 15h, no âmbito do inquérito sobre supostas tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal

Pepita Ortega

19 de maio de 2020 | 14h50

O delegado Carlos Henrique Oliveira, atual ‘número dois’ da Polícia Federal. Foto: Roberta Guimarães/Alepe

Os delegados da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira e Claudio Ferreira Gomes prestam depoimentos na tarde desta terça, 19, a partir das 15h, no âmbito do inquérito sobre supostas tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na corporação. Ex-superintendente da PF no Rio – a unidade pivô das crises entre o ex-ministro Sério Moro e o chefe do Executivo – Oliveira prestará informações à corporação pela segunda vez, após pedir para depor novamente após a primeira oitiva na última quarta, 13.

Claudio Ferreira Gomes foi diretor de Inteligência Policial da PF até a última quarta, 13, quando foi substituído pelo delegado Alexandre de Silveira Isbarrola. A mudança se deu no bojo das novas nomeações para a cúpula da corporação, que incluíram a oficialização da nomeação de Oliveira como novo diretor executivo da Polícia Federal.

Na primeira oitiva, o novo 02 da PF afirmou que a corporação fluminense mirou familiares do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o inquérito ‘era de âmbito eleitoral, e já foi relatado sem indiciamento’. O delegado também disse que a saída de Ricardo Saadi da chefia da PF no Rio não se deu por ‘questões de produtividade’, como alegado pelo presidente na primeira tentativa de trocar o superintendente da corporação fluminense.

Já Gomes, como ex-diretor de Inteligência Policial, deverá esclarecer questões relacionadas aos relatórios da corporação, um dos pontos centrais do inquérito.

No depoimento prestado à PF no último dia 2, Moro disse que, à medida que cresciam as pressões do presidente para trocar os comandos da Polícia Federal, Bolsonaro lhe relatou verbalmente no Palácio do Planalto que ‘precisava de pessoas de sua confiança para que pudesse interagir, telefonar e obter relatórios de inteligência’.

Na oitiva, o ex-ministro afirmou ainda que chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, alertou em reunião do conselho de ministros que não havia como fornecer ao presidente Jair Bolsonaro os relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre os quais o chefe do Poder Executivo vinha manifestando interesse.

Em seu depoimento, Heleno disse que não se recordava da afirmação e que na reunião ministerial do dia 22 Bolsonaro cobrou ‘de forma generalizada todos os ministros na área de inteligência’ em razão de ‘escassez de informações de inteligência’.

Questionado se a PF estaria deixando de atender pedidos de inteligência, Heleno respondeu que a corporação estava ‘atendendo pedidos feitos pelos canais adequados’. “Mas que havia uma cobrança do presidente por maior agilidade, pois às vezes, o presidente tomava conhecimento de informações pela imprensa, e não oficialmente”.

Mais dois depoimentos

Ainda estão agendadas para esta semana oitivas de outros dois delegados investigação sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro ao presidente Bolsonaro, Cairo Costa Duarte e Rodrigo de Morais. Ambos estão lotados na Polícia Federal de Minas Gerais, sendo o primeiro o superintendente da unidade e o segundo o responsável por conduzir as investigações sobre o caso da facada contra o presidente durante a campanha eleitoral em 2018.

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