Inovar e empreender: setor de vendas diretas é alternativa ao recorde de desemprego no País

Inovar e empreender: setor de vendas diretas é alternativa ao recorde de desemprego no País

Adriana Colloca*

07 de maio de 2021 | 04h00

Adriana Colloca. FOTO: DIVULGAÇÃO

É com total apreensão que temos acompanhado a contínua divulgação de estudos e pesquisas relacionadas às altas taxas de desemprego no País, com crescimento cada vez mais acentuado desde o início da pandemia da COVID-19, em 2020. Na última divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas desempregadas no Brasil foi estimado em 14,3 milhões no trimestre encerrado em janeiro. Com esta taxa, o País atingiu o triste recorde para o período na série histórica da PNAD Contínua realizada desde 2012.

A realidade do País acaba sendo acompanhada pelos resultados regionais. Dentre os 20 estados que registraram recorde, 12 tiveram taxa superior à média nacional. As maiores taxas foram registradas em estados do Nordeste e as menores, no Sul. No trimestre encerrado em janeiro, as maiores taxas de desocupação ficaram com Alagoas (20%), Bahia (20%), Rio de Janeiro (19,4%), Pernambuco (19%) e Sergipe (18%). O estado de São Paulo não ficou de fora da crise com taxa de desemprego na casa dos 14,6% no trimestre encerrado em janeiro – no total são 3,5 milhões paulistas sem emprego.

Chama atenção ainda o percentual da população subutilizada, que cresceu 12,9% em relação ao igual trimestre de 2019. São quase 6 milhões de pessoas que trabalham menos do que gostariam, e que poderiam ter renda superior caso conhecessem um dos poucos segmentos nacionais que tem sistematicamente apresentado crescimento, mesmo durante o duro cenário imposto pelo novo coronavírus.

O setor de Vendas Diretas, ou Porta a Porta, como é popularmente conhecido, vem se mostrando uma alternativa sólida e eficaz para quem busca geração ou complementação de renda. Com as facilidades de empreendedorismo, o segmento ultrapassou o número de 4 milhões de empreendedores independentes no Brasil, 5,5% a mais na comparação anual, de acordo com levantamento realizado Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) — entidade que representa empresas do setor como Natura, Avon, Herbalife, Mary Kay, Tupperware, entre outras.

São Paulo foi o Estado que se destacou neste crescimento, registrando número 30,6% maior de empreendedores independentes em relação a 2019, ou seja, o Estado tem mais de 1,2 milhão de pessoas atuando com Vendas Diretas e garantindo renda durante essa fase desafiadora. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (10,30%), Minas Gerais (9,10%), Paraná (6,70%). Bahia (5,8%), Rio Grande do Sul (4,5%), Ceará (4,1%) completam a lista das principais unidades federativas onde o setor tem apresentado crescimento.

Em pesquisa realizada pela ABEVD em março de 2020, sobre o perfil dos empreendedores independentes da venda direta, constatou-se que 52% dos empreendedores revendem produtos do mercado de cosméticos e cuidados pessoais e 22% do mercado de roupas e acessórios. O levantamento também mostrou que 58% dos empreendedores se identificam como do sexo feminino e 42% do sexo masculino, e cerca de 51% da força de vendas tem renda familiar de até R$ 3.135,00. A renda proveniente da venda direta é, em média, 31,3% do orçamento familiar.

Benefícios e inovação

A possibilidade de trabalhar de casa, com flexibilidade de horários e autonomia na definição do tempo de trabalho, também tem feito a atividade ser compatível com outras ocupações, possibilitando a diversos profissionais completarem sua renda em uma atividade que se adaptou rapidamente à realidade digital. Dados do levantamento sobre o perfil dos empreendedores da Venda Direta mostram que a atividade é uma boa pedida para quem quer seguir essa dica, já que corresponde à fonte de renda complementar de 66% dos respondentes.

Afim de estar adequado às novas formas de relacionamento, cada vez mais pautadas pela tecnologia, o setor tem recorrido à internet e a às mídias sociais como formas de relacionamento com o público. No início de 2020, a internet e os canais digitais já eram ferramentas importantes para 53,4% dos empreendedores independentes. Além disso, o aplicativo de conversa WhatsApp foi indicado como o principal canal de divulgação de produtos de 84,7% dos empreendedores independentes do setor de vendas diretas.

O uso cada vez mais otimizado de WhatsApp e sua versão Business, além de outras mídias sociais, traz também a vantagem da ausência de barreiras geográficas e socioeconômicas para as vendas diretas. Não existe nenhuma exigência de formação para ingressar na atividade, que pode ser exercida por qualquer pessoa, brasileiro ou estrangeiro, maior de 18 anos, que esteja no País. Além disso, há opções em que o investimento inicial é bastante razoável, até mesmo inexistente – o que dá oportunidade a muitos cidadãos, que precisam de uma chance, algo cada vez mais comum, tendo em vista a retração dos empregos formais e com carteira assinada.

Além de possibilitar a complementação de renda, a atividade é democrática, atraindo desde aquelas pessoas com nível universitário — parcela crescente de vendedores — até quem tem menos tempo de estudo concluído. Atualmente, 31,5% dos empreendedores já completaram o Ensino Superior e alguns são pós-graduados. Esse modelo de negócio também oferece oportunidades de empreendedorismo para todas as faixas etárias acima de 18 anos: hoje, a média de idade do empreendedor independente é de 31,9 anos.

Nestes tempos de pandemia, o setor de Vendas Diretas apresenta ainda um caráter mais do que especial para quem quer empreender: o de reunir pessoas que, além de serem vendedores talentosos, são consultores apaixonados que conhecem a fundo os produtos que vendem e seus clientes, atendendo à demanda de forma personalizada e humanizada. Em tempos de emprego cada vez mais escasso, encontrar um trabalho democrático, acessível e, mais importante, apaixonante, pode devolver o brilho no olhar de muitos brasileiros, hoje desalentados pela crise de saúde pública e que afeta drasticamente a economia nacional.

*Adriana Colloca é presidente executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD)

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