Inovações em investigações internas no mundo hiperconectado atual

Inovações em investigações internas no mundo hiperconectado atual

Stefano Demichelis*

19 de dezembro de 2018 | 05h00

Stefano Demichelis. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando o controle falha e a fraude ocorre, departamentos de auditoria interna são geralmente considerados a última linha de defesa de uma organização. Do mesmo modo, quando casos de fraude ou suborno e corrupção são descobertos ou quando os órgãos reguladores vêm bater à porta, são os departamento jurídicos internos que, na maioria das vezes, tomam a frente e lidam com estas questões.

Para os jurídicos internos e departamentos de auditoria interna que estão conduzindo as investigações internas, as primeiras fontes de informação a serem consultadas para auxiliar no processo são os servidores de rede, computadores, laptops e dispositivos móveis (ou seja, aqueles que pertencem à organização e não se enquadram na prática crescente de funcionários usando seus próprios dispositivos).

Embora essas fontes possam ter sido suficientes no passado, a atual “geração smartphone” é muito mais conectada socialmente (ainda que de forma eletrônica) do que há 15-20 anos e, como consequência, o número de interações por meio de trocas de mensagens instantâneas e aplicativos similares para assuntos de trabalho tem crescido exponencialmente. Isso vem afetando diretamente a habilidade das companhias em monitorar, obter e reter informação para fins de auditoria e compliance.

Atualmente, investigações de fraude, suborno e corrupção exigem não apenas a revisão de dados internos (dados financeiros, computadores, laptops e dispositivos móveis), mas também informações de fontes externas, incluindo fontes de imprensa, internet, ferramentas de busca e redes sociais.

Por exemplo, a Kroll foi contratada por meio de um advogado externo para investigar alegações de licitação fraudulenta e recebimento de presentes e incentivos por um empregado. Geralmente, parte das investigações da Kroll inclui recuperar e analisar dados eletrônicos relevantes que foram apagados de discos rígidos e smartphones.

Essa análise pode ajudar a identificar comunicações suspeitas que acabam proporcionando novas pistas à investigação. De forma parecida, quando a tentativa é a de identificar e recuperar ativos, os dados obtidos por publicações com identificação geográfica em redes sociais realizadas em uma área específica podem permitir a identificação da propriedade em interesse.

Infelizmente, lidar com uma vasta quantidade de dados pode ser desanimador e desgastante para a maioria das organizações. A necessidade de adaptar e evoluir a coleta e a análise de dados é crucial.

Ao longo dos anos, a visualização de dados tomou diversas formas, desde os mais simples gráficos de eixos x-y até os infográficos onipresentes na maioria das plataformas de mídia atuais. Recentemente, as ferramentas de visualização de dados têm se provado extremamente esclarecedoras no contexto das investigações internas. Elas possibilitam a combinação de dados estruturados (por exemplo, tabelas) e informações não estruturadas (posts de mídias sociais, emails, documentos) de forma a facilitar que sejam encontradas agulhas cada vez menores em crescentes palheiros.

Com ferramentas de visualização de dados, dados podem ser conectados a partir de uma variedade de fontes como mídias sociais ou registros de computadores para representar o nível de interconexões entre várias partes identificadas.

Assim que essas ligações são identificadas, um analista pode então focar em agrupações e conexões específicas para se aprofundar mais rapidamente e com melhor custo-benefício.

Seguindo as pistas destacadas pelas ferramentas de visualização de dados, o analista pode conduzir uma análise aprofundada das transações financeiras entre contas se, por exemplo, houver suspeita de lavagem de dinheiro. As pistas que se destacam podem, inclusive, auxiliar na identificação de fundos perdidos ou conexões até então insuspeitas entre clientes, fornecedores e/ou empregados.

Em um mundo cada vez mais conectado e que gera cada vez mais informações, conselheiros internos e auditorias internas encaram desafios enormes nos seus esforços em descobrir, analisar e interpretar dados que são primordiais para as investigações internas. Usos inovadores de tecnologia, assim como ferramentas de visualização de dados, podem melhorar a habilidade de não só investigar as instâncias de fraude, suborno e corrupção, mas também ajudar no desenvolvimento de estratégias preventivas baseadas em dados.

*Stefano Demichelis é principal, Business Intelligence and Investigations, Asia Pacific da Kroll

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