Inovação imperativa no mundo dos negócios

Inovação imperativa no mundo dos negócios

Anders Drejer e Christer Windeloew-Lidzélius*

06 de dezembro de 2020 | 06h30

Anders Drejer & Christer Windeloew-Lidzélius. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Inovar ou morrer é a dura realidade do mundo dos negócios. Com o passar do tempo, apenas aqueles que progridem conseguem sobreviver e prosperar. Extintos mas sem estarem mortos ainda? É uma pergunta que merece ser ponderada.

Na natureza, os grandiosos dinossauros dominavam a Terra por milhões de anos, até que um golpe de martelo no céu (na forma de um meteoro) bloqueasse as ondas de vida do Sol por muitos anos com seus destroços, fazendo então com que fosse uma desvantagem de evolução ter o sangue frio. Assim, entraram em cena os mamíferos de sangue quente que resultaram na evolução do homem moderno. Mas, considere isso, por dias, e talvez até semanas, os dinossauros continuaram vivos, apesar de já estarem extintos.

Nós garantimos a você que há dinossauros dos tempos modernos cambaleando pelo mundo corporativo. Por exemplo, é conhecimento comum que a Kodak fracassou em capitalizar a sua própria invenção da fotografia digital, é menos conhecido o fato de que ela como empresa continuou protelando por 17 anos antes de que finalmente sucumbisse às realidades da extinção. Como a Kodak, temos diversos exemplos. Considere essa questão: Sua empresa é um desses dinossauros condenados?

Covid-19 19: um exemplo recente de um golpe de martelo inesperado

Na Dinamarca, nossa terra natal,a pandemia internacional causada pela Covid-19 culminou em um quase completo fechamento do país efetivamente em um agitado dia de 11 de março de 2020. O tamanho da surpresa pode ser calculado pelo fato de que um de nós, estando em um compromisso, conseguiu se manter abençoadamente alheio à situação, enquanto bares, restaurantes e hotéis fechavam ao nosso redor. Em paralelo, vimos muitas empresas efetivamente perderem seus sustentos naquele dia: tomamos como exemplo uma empresa bem sucedida que oferecia soluções para grandes eventos, como shows e festivais de música, com a qual trabalhávamos em parceria, que perdeu, em um só dia, 95% de suas vendas! E eles não estão sós.

O Darwinismo se aplica ao mundo corporativo?

É tentador acreditar que o princípio de Charles Darwin “Sobrevivência do mais apto” também se aplica ao mundo de gestão e organizações, ou seja “não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que é mais responsivo às mudanças!”.Então, a Kodak abriu, desavisadamente, o caminho para uma revolução no mundo da fotografia e, ainda assim, falhou em evoluir junto com essa revolução e por isso teve que morrer? Apesar do fato que é notoriamente conhecido — especialmente nas instâncias das chamadas mudanças disruptivas — de que líderes de mercados estabelecidos frequentemente falham enquanto os novos entrantes e empreendedores aparecem para capturar oportunidades da nova indústria. Não foi a Nokia, líder absoluta dos celulares baseados em tecnologia GSM, que ganhou a batalha para o mercado de smartphones, ao invés disso quem fez essa conquista foram os novos entrantes como a Apple e outros grandes nomes do setor.

Talvez você esteja se preocupando um pouco agora. Se preocupando com as muitas disrupções à espreita no horizonte, cada uma delas ameaçando mudar o ambiente do seu negócio e assim levando sua empresa à extinção? Bem, há esperança! O princípio de Darwin é articulado no fato que uma espécie não poder mudar é apenas algo básico da natureza (exceto nos casos extremamente raros de mutações na hora exatamente certa). Organizações, entretanto, enquanto fazem parte de um mundo natural, podem alterar suas próprias naturezas para que se adequem às mudanças de cenário do ambiente onde estão inseridas.

A inovação imperativa

Já morreu? Claro, a IBM enquanto líder de mercado de minicomputadores, não inventou o computador pessoal, deixando a criação de uma indústria completamente nova para players como a Apple, mas ela conseguiu se transformar e capturar uma posição de liderança de mercado nesse segmento. Há esperança! Você pode inovar o seu caminho para sobreviver, mesmo quando não foi você que inventou alguma coisa. Invenção e inovação não são as mesmas coisas.

Ao dominar a habilidade de gestão de inovação — a criação de novos modelos de negócios que prolonguem a vida útil de uma organização — é possível evoluir e até mesmo revolucionar sua organização. A inovação imperativa significa então 1) a Era da disrupção, onde as mudanças trazidas pela globalização e sustentabilidade nunca foram tão aparentes e 2) se você não inovar, os seus competidores irão — e você entrará em extinção.

Enquanto a má notícia é que apenas poucas organizações e líderes dominam a habilidade de inovar, a boa notícia é que isso não é mágica. Inovação é uma habilidade sistemática que pode ser codificada e aprendida. E dominada. Então, mesmo que você esteja agora na mesma situação que um dinossauro, lembre-se que você não é um dinossauro e não precisa ser extinto. Você é um líder e você pode criar o futuro de sua organização.

*Anders Drejer e Christer Windeloew-Lidzélius, professores convidados pela Saint Paul Escola de Negócios para ministrar os ‘programas de liderança em meio ao caos no Brasil’

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