Inovação e segurança devem liderar esforços durante a segunda fase do Open Banking no Brasil

Inovação e segurança devem liderar esforços durante a segunda fase do Open Banking no Brasil

Tushar Parikh*

25 de agosto de 2021 | 03h30

Tushar Parikh. FOTO: DIVULGAÇÃO

Seguindo o calendário do Banco Central do Brasil, a segunda fase do Open Banking se iniciou no último dia 13 de agosto e será mais uma etapa na transformação do envolvimento das pessoas com o setor bancário no Brasil. Durante a segunda fase, os clientes poderão autorizar o compartilhamento de suas informações com outras instituições financeiras, levando ao empoderamento dos clientes, que terão mais opções e possibilidades de serviços financeiros.

No Brasil, o escopo de compartilhamento de dados é maior que em outros países onde já foi implantado, o que contribui para que haja a evolução do modelo de Open Banking para Open Finance, incluindo um maior número de instituições financeiras, Fintechs, serviços e produtos, tais como seguros e investimentos.

Os bancos já estão repensando seus modelos operacionais, juntamente com as demandas regulatórias, e estão abrindo recursos e ativos para fornecer soluções ainda mais centradas no cliente e responsivas. As mudanças trazem também uma série de benefícios para as empresas do setor bancário. O cenário permite explorar novas receitas e promover a inclusão financeira, estabelecendo fluxos de processos, modelos de segurança e de dados, reduzindo o tempo de lançamento de um novo produto/serviço no mercado. Considerando o ecossistema de fornecedores e parceiros, as Fintechs e Big Techs são os novos entrantes no mercado e oferecem serviços digitais e experiência de usuário, além de acesso aberto a serviços de aplicativos e dados.

A confluência entre as instituições financeiras é fruto das duas grandes soluções tecnológicas que contribuíram para o desenvolvimento do modelo de Open Banking. O gerenciamento de interfaces de programação de aplicativos (APIs), com a inclusão de padrões de interoperabilidade tanto técnicos quanto semânticos, e a comunicação segura entre essas APIs. Elas permitem que as instituições explorem inovadoras soluções de TI e rede que lhes permitirão aproveitar os novos serviços oferecidos pelas plataformas digitais.

À medida que o modelo evolui, os participantes utilizarão o poder das APIs e farão o uso eficaz dos dados para oferecer produtos mais contextualizados aos seus clientes, com modelos de custo flexíveis baseados em ofertas selecionadas, tipos de serviços, recursos internos e tecnologia de acordo com a regulamentação. Este momento pede das empresas um maior investimento em inovações tecnológicas e de serviços, tendo em vista um ambiente de maior competitividade. Elas também devem dedicar esforços em segurança e no tratamento de dados de acordo com a LGPD.

A comunicação com os clientes deverá ser clara tendo em vista o desafio de conscientizar os mesmos e garantir a segurança de privacidade dos dados com mecanismos de governança e controle, como diligência robusta nos processos e auditorias periódicas. Exigirá, também, que as empresas adotem serviços gerenciados de cyber-segurança que implementam, mantêm, monitoram e aprimoram o serviço.

Todos estes avanços já ilustram uma nova tendência de empresas que expandem o escopo para além do seu setor de atuação, como companhias de fora do setor financeiro que lançaram aplicativos próprios de pagamento, ao mesmo tempo que bancos passam a vender produtos não bancários. As novas fases do Open Banking no Brasil contribuem para a adoção e o crescimento de modelos de negócios baseados em plataformas, mas trazem um desafio às Instituições financeiras e fintechs de garantir a segurança do compartilhamento de dados dos clientes para oferecer novos produtos e serviços digitais.

*Tushar Parikh, Country Head – Brasil & Head de Bancos, Serviços Financeiros e Seguros para América Latina na TCS (Tata Consultancy Services)

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