Inovação aberta e a jornada de reinvenção do ecossistema financeiro

Inovação aberta e a jornada de reinvenção do ecossistema financeiro

Rebeca Ciccarelli*

16 de agosto de 2021 | 11h30

Rebeca Ciccarelli. FOTO: DIVULGAÇÃO

A busca por novos caminhos no ecossistema financeiro ganhou mais um capítulo com o rápido avanço da tecnologia e a consequente chegada das fintechs, startups focadas em produtos financeiros totalmente digitais. Nativas de uma nova era, essas empresas conquistaram rapidamente o interesse de todos, por meio da oferta de serviços diferenciados, integrados e conectados. Hoje, somente no Brasil, já são mais de 1.100 fintechs, que receberam no primeiro trimestre deste ano US$ 517 milhões em aportes, segundo dados publicados no Distrito Fintech Report 2021, realizado pela plataforma de inovação Distrito.

Acompanhando o exponencial crescimento dessas empresas, as organizações tradicionais do ecossistema entenderam que era hora de buscar um novo modo de fazer negócios. Nessa jornada, passaram a encontrar na inovação aberta uma opção viável para inovar de maneira ágil e eficaz.

Investimento de baixo risco

O conceito de inovação aberta – ou open innovation, em inglês – foi apresentado pela primeira vez em 2003 pelo economista Henry Chesbrough. A ideia era mostrar os benefícios de uma inovação colaborativa com parceiros externos às organizações, com o objetivo de melhorar o desenvolvimento de produtos e serviços. Basicamente, era uma proposta de conectar novos e velhos atores do mercado, a fim de destravar recursos e otimizar o tempo para a criação de novas soluções.

Aos poucos, essa construção colaborativa foi tomando corpo e hoje as empresas do setor financeiro estão investindo cada vez mais em iniciativas de inovação aberta, buscando acordos com startups dos mais variados segmentos – incluindo as fintechs –, que possam somar esforços para acelerar a aplicação de novas ideias e soluções. A Deloitte identificou, em sua Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2020, que 68% dos bancos já têm ao menos um parceiro no ecossistema de inovação. Uma mudança de paradigma que vem acompanhada de novas tecnologias. O mesmo levantamento aponta que os bancos aumentaram em 48% os investimentos nessas soluções, puxados tanto por software, como por hardware.

A chegada do open banking, do open finance e de novos modelos de transações como o Pix e o pagamento via aplicativo de mensagens também aparecem como aceleradores do ecossistema de inovação aberta. Atualmente, os bancos ouvidos pela pesquisa da FEBRABAN dizem já ter APIs (90%), mantendo inclusive um portal do desenvolvedor (84%). O desenvolvimento das APIs externas, ou seja, as APIs que são abertas ao mercado, estão caminhando em ritmo muito acelerado. Ou seja, o open banking vai impulsionar o setor financeiro, especialmente os bancos, a desenvolver uma estratégia de negócio baseada em ecossistema. Não há como escolher outro rumo.

Rendimento garantido

Outro benefício da inovação aberta está na atração e retenção de talentos. O setor financeiro que hoje opera em um modelo mais tradicional enfrenta desafios para contratar profissionais. Nativos digitais, assim como as fintechs, jovens talentos são atraídos para as startups, onde têm um ambiente efervescente para colocar suas ideias em prática e trabalhar em colaboração.

Para suprir essa lacuna, os bancos estão investindo em treinamentos, novas tecnologias e metodologias, certos de que a transformação começa por capacitar suas equipes em novas tecnologias e com novos métodos de trabalho. Somente em 2019, segundo o levantamento da FEBRABAN, foram 149 mil horas de treinamentos para formação de mais de 11 mil profissionais. Entretanto, só isso não é suficiente, é preciso implementar uma mentalidade aberta, focada na inovação, que possibilite criar uma cultura que compita de igual para igual com as das startups.

É aqui que o open source, em toda a sua abrangência, aparece como ferramenta fundamental. Ancorado em pilares como a colaboração, a melhoria contínua e a inovação constante, oferece muito mais do que soluções tecnológicas para promover e acelerar a transformação digital dos bancos. O modelo proporciona uma cultura capaz de suportar essas mudanças de maneira consistente e perene. A combinação dessa abordagem focada em mudança de mentalidade, automação e design de plataforma, com o objetivo de agregar mais valor aos negócios, aumenta a capacidade de resposta por meio de entregas rápidas e de alta qualidade. Além disso, atrai novos talentos, que podem expandir seus horizontes e aumentar exponencialmente a produtividade.

A inovação aberta representa, na prática, a evolução do conceito de disrupção. Especialmente para o setor financeiro, aparece como melhor alternativa para permitir que as organizações do ecossistema trabalhem em conjunto, colaborando mutuamente para entregar para clientes cada vez mais exigentes, serviços e produtos que atendam suas necessidades e ofereçam uma experiência única. Para as instituições, representam a melhor forma de explorar a inovação e se beneficiar dela, estendendo seu tempo de vida e seu impacto na sociedade.

*Rebeca Ciccarelli é diretora de Vendas na Red Hat Brasil

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