Inflação 99,7%, Figueiredo presidente, Maluf governador, ‘Sétimo Sentido’ na Globo com Regina: o Brasil de 1982, ano do ‘Roubo da Emergência’

Inflação 99,7%, Figueiredo presidente, Maluf governador, ‘Sétimo Sentido’ na Globo com Regina: o Brasil de 1982, ano do ‘Roubo da Emergência’

Há 38 anos, um bando armado de metralhadoras roubou Cr$ 94 milhões dos trabalhadores atingidos pela grande seca no Rio Grande do Norte; na última terça, 3, a Polícia Federal prendeu Francisco das Chagas, com 73 anos; o repórter Pedro Prata resgata um País ainda sob ditadura, mergulhado na inflação sufocante

Pedro Prata

08 de março de 2020 | 06h01

Maio de 1982. No Rio Grande do Norte, o governo passava das mãos de Lavoisier Maia para o primo, José Agripino Maia, ambos do então PDS, ou Partido Democrático Social. Foi nesse mês, no dia 18, que aconteceu o ‘maior roubo da história do Estado’, ou o ‘Roubo da Emergência’, segundo os anais da Polícia. Um bando de homens armados com revólveres e metralhadoras assaltou em Umarizal – a 405 km de Natal – um carro ocupado por funcionários do Banco Econômico que transportava Cr$ 94 milhões.

O dinheiro era destinado ao pagamento de 15.826 trabalhadores inscritos no plano de emergência da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste contra a seca.

O Brasil ainda vivia sob o regime de exceção iniciado em 1964. João Figueiredo foi seu último presidente. Foto: Acervo Estadão

Nesta época a sede do governo potiguar ainda era o Palácio Potengi, magnífica construção do século 19 tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que, mais tarde, deu lugar para o Palácio das Artes e agora abriga a Pinacoteca Potiguar.

Palácio Potengi, atual Palácio das Artes. Foto: Google Maps/Reprodução

Em Brasília, o presidente João Figueiredo era o último general do regime de exceção, instalado no País em 1964. Um governo marcado pela inflação sufocante e pelas Diretas Já, que tomaram as ruas nos anos seguintes, em 1983 e 1984.

Sócrates, o talentoso criador da ‘democracia corintiana’, era a liderança do escrete brasileiro na Copa da Espanha. Com ele, uma geração de gênios… Zico, Falcão, Cerezo, Éder… sob comando do disciplinador Telê  Santana. Mas a seleção que encantou o mundo voltou sem a Taça, eliminada pela Itália de Paolo Rossi, o carrasco.

O jogador Falcão, do Brasil, dribla o jogador argentino Barbas. A partida terminou com vitória brasileira de 3 a 1 sobre a Argentina, com gols de Zico, Serginho Chulapa e Júnior. Foto: Acervo Estadão

Sócrates, Telê e Zico. Foto: Acervo Estadão

Eram tempos de turbulência na economia. A inflação acumulada no ano atingiu a marca assombrosa de 99,7%. A crise da dívida externa levou o Brasil a recorrer ao Fundo Monetário Internacional.

Foto: Acervo Estadão

Foto: Acervo Estadão

Lá fora, os americanos e os russos ainda mantinham a velha disputa pela hegemonia do planeta.

Aqui perto, a Argentina entrou na aventura das Malvinas e se curvou ao Reino Unido que retomou o domínio das Ilhas.

Foto: Acervo Estadão

A Globo exibia na faixa das sete da noite Sétimo Sentido, estrelada por Regina Duarte, a ‘namoradinha do Brasil’, hoje chefe da Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro.

Em São Paulo, o governo passava das mãos de Paulo Maluf (PDS) para José María Marin, da mesma sigla. Maluf deixou o Palácio dos Bandeirantes naquele maio de 1982 para se candidatar a uma cadeira na Câmara. Hoje cumpre prisão domiciliar, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por lavagem de dinheiro.

Notícia repercute a posse de José María Marin como governador de São Paulo. Foto: Acervo Estadão

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