Índice Nacional de Expectativa do Consumidor: a saúde econômica está melhorando?

Angela Menezes*

20 Agosto 2018 | 08h00

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor apresentou uma leve alta em julho, mas não quer dizer com isso que a confiança deve estabilizar ou se elevar.

Não podemos esquecer que o país está a menos de dois meses do primeiro turno das eleições, e que essa disputa política tira, de certa forma, o foco da melhoria da situação econômica do ponto de vista de ações práticas. Observa-se que as ações do governo estão voltadas a manter a situação no nível em que está.

Indicadores macroeconômicos como investimentos, nível de desemprego, aumento da renda e do poder de compra, dentre outros, estarão cada vez mais na pauta das discussões, especialmente dos candidatos, mas precisamos observar que estamos no Brasil, e o fato desses temas estarem sendo discutidos não implica, necessariamente, em ações efetivas do Governo. Portanto, provavelmente, esses índices macroeconômicos não têm expectativa de uma melhoria muito significativa neste ano.

Outro ponto a ressaltar é a questão de “timing”: a recuperação, após um período de baixos índices, exige mais esforço econômico, preparo, eficiência e agilidade para equilibrar. E, independentemente do candidato que vencer, essa recuperação será lenta até devido ao perfil de ineficiência da máquina pública e sua morosidade natural.

O ambiente atual é de extrema burocracia, alta carga tributária. A falta de investimentos em infraestrutura e o nível educacional médio do brasileiro tornam o processo produtivo médio do país caro e não competitivo. Esse cenário convida a seguinte questão: será que serão implementadas ações efetivas que resolvam essa situação e coloque o país em um nível de competitividade mundial?

O mundo está prestes a ultrapassar a segunda década do século 21, com inclusão, nesse século, de países altamente competitivos no cenário mundial, mas o modelo mental da gestão pública brasileira claramente ainda está posicionada várias décadas atrás, em algumas situações parece que estamos em meados do século 20.

Mas existem esperanças, que são as ações vindas da iniciativa privada. As empresas vêm sendo sacrificadas, cada vez mais, mas ainda assim os empreendedores, empresários e investidores vêm tentando equilibrar, inovar em relação a outros produtos e processos, a despeito do ambiente nacional infértil ao investimento e desenvolvimento.

Não deveria haver muita euforia em relação a melhorias pontuais. As soluções – é claro – existem. Mas não deve ser esquecido que recuperar a saúde exige tempo, ações e remédios adequados, e que alguns desses remédios têm, sim, efeitos colaterais.

Portanto, quando o país se redirecionar, que tenha o bom senso de consumir o remédio adequado, a disciplina de seguir as prescrições e a paciência para suportar possíveis efeitos colaterais. Com isso a saúde e a recuperação da confiança e expectativa retornarão.

*Angela Menezes é especialista na área de financias e professora do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville

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