‘Incólumes evidências’ contra Temer por corrupção, diz PF

‘Incólumes evidências’ contra Temer por corrupção, diz PF

Relatório da Operação Patmos indica 'com vigor' recebimento de 'vantagem indevida' por parte do presidente e de seu ex-assessor especial Rocha Loures, o homem da mala preta flagrado com R$ 500 mil em propinas da JBS

Isadora Peron, Rafael Moraes Moura e Breno Pires, de Brasília

20 de junho de 2017 | 19h23

Michel Temer. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 19, afirma que, pelos elementos reunidos no inquérito que tem como alvo o presidente Michel Temer, ‘são incólumes as evidências’ da prática de corrupção passiva por parte peemedebista e de seu ex-assessor especial Rodrigo da Rocha Loures.

No documento, a PF afirma que foi dada tanto a Rocha Loures quanto a Temer a oportunidade de “esclarecer diversos fatos”, mas o presidente optou por não responder às mais de 80 perguntas feitas pela instituição, além de ‘surpreendentemente’ pedir o arquivamento do inquérito.

“Diante do silencio do mandatário maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a pratica de corrupção passiva”, disse.

Para a Polícia Federal, está claro que Temer indicou Rocha Loures como interlocutor ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, durante a conversa que os dois tiveram no Palácio do Jaburu, em 7 de março.

O ex-assessor de Temer, então, teria atuado em favor dos interesses do grupo J&F em processo administrativo em trâmite no Conselho Administrativa de Defesa e Econômica (Cade), inclusive fazendo ligação para o presidente interino do Cade, Gilvandro de Araújo.

Segundo a PF, em conversa com Joesley, Rocha Loures disse que Araújo havia “entendido o recado” e os dois teriam passado a combinar como seria realizado o pagamento de R$ 500 mil ao ex-assessor de Temer, que foi efetuado em uma pizzaria em São Paulo.

Além de Temer e Rocha Loures, a PF também indica que Joesley e o empresário Ricardo Saud respondam por corrupção ativa, por terem “oferecido e prometido vantagem indevida a servidor público”.

Prazo. Em outro documento enviado ao STF, a Polícia Federal pede mais cinco dias para concluir as investigações.

Segundo a entidade, o relatório parcial aponta “pagamento de vantagem indevida” de maneira “remota” ao presidente e “imediatamente” ao seu ex-assessor pela transação no Cade, mas é necessário mais de prazo para dar prosseguimento a investigações relacionadas a outros dois fatos: se houve pagamentos periódicos ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Lúcio Bolonha Funaro, como forma de mantê-los em silêncio, ou seja, evitando eventual celebração de acordo de colaboração premiada deles, e para a confissão que Joesley fez a Temer que estava corrompendo magistrados e membros do Ministério Público.

A PF também diz ser “recomendável” esperar a conclusão da perícia na conversa gravada entre Temer e o empresário Joesley Batista para emitir conclusões sobre se houve tentativa de embaraço a investigação criminosa.