Inclusão trans: os desafios de quem busca uma colocação formal no mercado

Inclusão trans: os desafios de quem busca uma colocação formal no mercado

Dani Verdugo*

29 de março de 2021 | 07h20

Dani Verdugo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com grande destaque no contexto da diversidade, a Inclusão Trans continua sendo tabu para muitas organizações. Mas felizmente, ainda que de maneira tímida, as oportunidades formais têm aumentado no país.

Bons exemplos deste movimento são: o crescimento de 315% entre jan/2020 e jan/2021 da Plataforma Transempregos, e o fato de que grandes empresas em diversos setores e nacionalidades têm buscado investir na contratação de profissionais transgênero.

Por outro lado, dado todo o histórico de discriminação sofrido pelos profissionais trans, muitos deles ainda tem dificuldades em se expor nos processos seletivos.

Neste sentido, estados como São Paulo e Rio de Janeiro tem tido iniciativas que apoiam o desenvolvimento destes profissionais, de modo que possam sair do cenário de vulnerabilidade, aumentando sua autoestima.

O programa Transcidadania, criado em 2008 pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo, tem foco na progressão escolar e capacitação de trans e travestis, concedendo uma bolsa mensal no valor de R$ 1.097,25 para participantes. Ao todo, são 510 vagas distribuídas na capital.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Renata Souza (PSOL) apresentou um projeto de lei propondo que empresas privadas que recebem incentivos fiscais sejam obrigadas a reservar 5% das vagas para travestis e transexuais.

O desafio é grande, o caminho a percorrer é longo, mas o mercado, tanto sob a ótica dos contratantes quanto dos candidatos, precisa se conscientizar de que não contratar e integrar profissionais transgênero não deve ser encarado como um favor, mas sim uma contratação como qualquer outra, que por um lado gera a oportunidade ao profissional, e por outro, gera resultados para as corporações.

*Dani Verdugo, empresária e headhunter, atua com Executive Search na THE Consulting

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