Incêndios e acidentes por falta de sinalização: o que o brasileiro não aprende?

Incêndios e acidentes por falta de sinalização: o que o brasileiro não aprende?

Rafael Chagas*

14 de dezembro de 2019 | 05h00

Incêndio no hospital Badim, no Rio. FOTO: CELSO PUPO/FOTOARENA/ESTADÃO

Um incêndio no Hospital Badim, no Rio de Janeiro, meses atrás. O incêndio na boate Kiss, uma tragédia que matou 242 pessoas e feriu 680 outras numa boate da cidade de Santa Maria, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. A tragédia ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, e foi provocada pela imprudência e pelas más condições de segurança no local. Mas afinal o que esses dois acidentes certamente têm em comum? A falta de sinalização interna.

Sabe algumas placas que mostram extintores de incêndio, exposição a produtos tóxicos, saídas de emergência, entre outras? Sabia que a sinalização da empresa é primordial para os negócios? Sim, esse tipo de comunicação visual deve seguir as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pois precisam ter as dimensões corretas para facilitar o processo de indicação de setores, entradas e saídas do local. Além disso, é obrigatório em todas as empresas

Os tribunais brasileiros, aliás, já colecionam casos de indenizações de empresas por falta de sinalização tanto com funcionários como com clientes. Recentemente um supermercado descobriu da pior forma possível como a falta sinalização de piso escorregadio pode trazer sérios prejuízos. Isso porque um cliente que possui movimentos limitados em uma das pernas escorregou dentro da loja, que estava passando por uma limpeza sem sinalizar o piso molhado. Uma simples placa isentaria, de certa forma, a culpabilidade do estabelecimento neste episódio.

O cliente foi à Justiça e alegou falta da placa de sinalização. Depois de muita discussão, o TJ que recepcionou o caso acrescentou que fazia parte da responsabilidade do supermercado, e não do cliente, comprovar a existência da placa sinalizadora no momento de limpeza da loja. Só por curiosidade, a loja arcou com indenização de R$ 7 mil.

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a responsável pela definição de uma série de normatizações, garantindo assim a segurança e a correta aplicação dos sinais.

Assim, em função da grande importância das placas de sinalização como instrumentos de segurança, capazes de salvar vidas, é natural que tais objetos também estejam sujeitos às especificações da ABNT. Há determinações sobre o assunto nas Normas Brasileiras ABNT/NBR nº 13434-2, que versa sobre símbolos, formas, dimensões e cores; e na ABNT/NBR nº 7195, que apresenta regulamentações sobre as cores a serem utilizadas para segurança.

Existem, ainda, outras normas de variados órgãos específicos, como o Ministério do Trabalho (NR-26), trazendo em seu texto detalhes sobre a utilização de cores na segurança do trabalho. Entretanto, trataremos neste artigo apenas sobre as determinações das duas normas da ABNT listadas anteriormente.

Acidentes que infelizmente vitimizam muitas vidas vêm jogando aos olhos do brasileiro e do empresário a importância de se preocupar com a sinalização dentro dos estabelecimentos seja para alertar o funcionário, seja para ajudar o cliente, mas, diferente de muitos países, essa cultura ainda está a passos lentos. A esperança é que a situação, em 2020, tenha mudanças já que os próprios funcionários/clientes já se manifestam em prol da segurança coletiva.

*Rafael Chagas, CEO da FortLux Visual

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