Impactos da pandemia na saúde e economia brasileira

Impactos da pandemia na saúde e economia brasileira

Luís Alexandre Chicani*

14 de julho de 2020 | 03h00

Luís Alexandre Chicani. FOTO: ETHEL BRAGA

Infelizmente, a pandemia avança e estrangula o setor de saúde e cria situações extremamente difíceis para os empresários, que começam a exercer uma pressão enorme sobre os governantes para a reabertura da economia.

Nós, que trabalhamos no setor da saúde, acompanhamos diariamente, a preocupação dos empresários em cuidar do ambiente de trabalho de seus profissionais e evitar que eles se contaminem. Paralelamente, temos o desafio de fazer com esses colaboradores trabalhem de forma eficiente.

Diante dessa preocupação, quero falar sobre três perspectivas da saúde: corporativa, do indivíduo e a pública, para gente pensar no todo. Eu sempre cito uma frase que li no início da pandemia, numa matéria do Fersen Lambranho, presidente do conselho da GP, que disse que o mundo vai sair mais saudável, mais digital e mais solidário, e gostaria de trazer esses três aspectos para cada uma das saúdes que mencionei.

As empresas nunca olharam tanto para o assunto saúde corporativa. Eu atendo por exemplo, o Magalu, e o seu CEO, Fred Trajano, me disse outro dia: “o Chicani e a Bencorp nunca estiveram tão em alta”. O mesmo acontece com outros parceiros, pois participamos de mais de 15 comitês de saúde, olhando os casos de covid-19 e discutindo esse assunto, diariamente. Nesse momento, um dos nossos maiores desafios é conseguir criar alternativas para oferecer novas soluções em saúde. E uma das questões mais abordadas nessa pandemia é a Telemedicina, que muda a perspectiva da saúde da companhia e do indivíduo no Brasil, um país continental, com uma alta concentração de médicos, onde a população é pobre e tem pouco acesso à medicina.

Como fazer chegar no Pará ou no Amazonas, um atendimento de saúde bem estruturado? A Telemedicina atende bem essa demanda. Nesse primeiro momento, ela tem sido muito utilizada para evitar a contaminação, reduzindo a ida aos hospitais. Mas resolvemos outros problemas, como uma pessoa que procurou o serviço com um ataque no miocárdio e foi encaminhada ao Pronto Socorro, imediatamente. Outro caso foi uma apendicite aguda, que também foi enviada à cirurgia, a tempo. Então, é essencial ao empresário ter um parceiro de saúde com esse olhar.

Uma outra questão é o home office e vejo as pessoas discutindo as economias, quanto se ganha de qualidade de vida, não se deslocando e pegando trânsito, então, acho que tem um olhar da saúde e qualidade de vida que as empresas vão se ajustar. Eu tenho uma preocupação com os exageros, pois não podemos tornar a volta aos escritórios, como em filmes de ficção cientifica e todo mundo com milhões e milhões de aparatos. Claro que é preciso ter cuidados, mas temos de ter equilíbrio e transformar o pós-pandemia das empresas em algo produtivo, com foco no cuidado da saúde de seus colaboradores e de suas famílias.

No campo da saúde individual, diante do fechamento da economia, o que mais se fala é a respeito do desemprego e a da perda da capacidade de renda, seja um empreendedor ou funcionário de empresa, o que vai gerar um impacto muito grande, pois segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo até 12 milhões de pessoas poderão perder seus empregos, e por consequência, o plano de saúde.

Esse problema exibe alternativas para as empresas abrirem novas frentes, a fim de cuidar da saúde dessas pessoas. A própria Telemedicina, num ambiente individual, é uma solução boa e barata para atender a um país onde milhões de pessoas vivem com um salário mínimo e também permitir que as pessoas olhem mais para a sua saúde, como uma gestante, um crônico, diabético ou hipertenso ao fazerem seus acompanhamentos através de um projeto de atenção primária, que é a segunda onda da Telemedicina.

E por último, olhando para saúde pública, tem também a questão de solidariedade – nunca se viu tantas doações no Brasil, doações para construção de Hospitais de Campanha, que depois do término da pandemia ficarão como ativo para a população. Também haverá uma cobrança maior dos governos e mais atenção aos indicadores de saúde, que nunca foram bons no Brasil. E na parte solidária, eu gostaria de citar dois projetos em que estou diretamente envolvido: o Instituto Borboleta Azul, do qual sou fundador e oferece atendimento psicológico para jovens carentes, e o Projeto Arrastão, do qual eu sou Conselheiro, onde atendemos há mais de 50 anos 1000 jovens e crianças por dia.

Acredito que essa pandemia também tem servido para fazer com que tenhamos esse olhar mais solidário, pois há a preocupação com os que estão em casa e têm condições, mas há milhões de pessoas que não têm o apoio psicológico para passar por esse momento de crise. Tenho certeza que todas essas doações e investimentos ficarão como legado para melhorar a vida do brasileiro, que precisa de muita infraestrutura na área da saúde.

E para finalizar, saliento a importância dos laboratórios farmacêuticos no desenvolvimento de uma vacina e medicamentos contra o covid-19, pois acredito que pela primeira vez, estamos acompanhando um esforço conjunto em todo o planeta, por um único objetivo, que é garantir a saúde, quer seja no mundo corporativo do indivíduo ou no setor público.

*Luís Alexandre Chicani, CEO da BenCorp e ClubSaúde

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