‘Imagina se alguém entrasse na escola atirando, fazendo uso de machadadas, a repercussão seria maior’

‘Imagina se alguém entrasse na escola atirando, fazendo uso de machadadas, a repercussão seria maior’

Jovem apreendido por suspeita de ligação com chacina de Suzano disse à Polícia, em depoimento na semana passada, ser 'simpatizante' do massacre de Columbine e relatou o que diz ter ouvido de um dos autores do crime que chocou o país

Luiz Vassallo

20 de março de 2019 | 08h13

O menor apreendido nesta terça-feira, 19, pela Polícia Civil foi uma das testemunhas ouvidas no dia do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, que deixou dez mortos. Já naquela ocasião, o rapaz de 17 anos revelou aos policiais ser amigo de um dos autores do crime e disse que ambos eram ‘simpatizantes’ do atentado contra a escola de Columbine, cometido em abril de 1999, nos Estados Unidos, que matou 12.

Mensagens encontradas em seu celular e o depoimento de uma professora estão entre os indícios que embasaram a apreensão do jovem, que tem 17 anos, e nasceu e cresceu em Suzano.

À polícia, afirmou que em 2015 ele e seus dois amigos tomaram conhecimento do atentado de Columbine, nos Estados Unidos, ocorrido há muitos anos, em que dois adolescentes invadiram uma escola armados onde efetuaram diversos disparos, totalizando 12 vítimas e na sequência cometeram suicídios’.

Ele ‘esclarece que tanto o depoente quanto o autor do massacre de Suzano apresentavam muita simpatia pelo atentado; que por várias vezes seu amigo alimentava a imaginação de dizer: ‘imagina se alguém entrasse na escola (Raul Brasil) atirando, fazendo ainda uso de machadadas, pois a repercussão seria maior’.

O jovem apreendido nesta terça, 19, disse à polícia que ‘diante da imaginação macabra do amigo, trocava de assunto’.

Ele ainda disse que o autor dos atentados dizia: ‘Imagina confeccionar uma bomba falsa e dispor de muito tempo da polícia e no final apenas haver um bilhete no artefato falso’.

Conta que o amigo quis ‘superar o atentado, acrescentando coqueteis molotov, bomba falsa supostamente com bilhete, bem como a machadinha e o arco e uma besta, a fim de que seu crime que estava em sua imaginação repercutisse mais do que o citado atentado americano’

Segundo o adolescente apreendido nesta terça, 19, seu amigo ‘tinha motivação de criar transtornos à Polícia, sempre com deboches’

“Que esclarece que desde 2015 em diante, o amigo evoluiu sua imaginação, pois no início somente apresentava armas e com o passar do tempo passou a inserir novas armas, sendo as machadinhas, besta e demais artefatos.”

Afirma desconhecer que o autor do atentado ‘possuía arma de fogo, mas sabia que ele possuía algumas facas; que o arco, a besta e os dois machados foram adquiridos no Shopping de Suzano’; e que ‘o declarante não acreditava que ele chegaria a consumar sua imaginação de reviver o atentado de Columbine’.

Ressalta que seu amigo ‘nunca afirmou que iria invadir a escola, mas sempre demonstrava simpatia e diante do que ocorreu na escola na data de hoje, todo o cenário corresponde com a imaginação dele’.

 

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