Ideli, novo alvo da Lava Jato

Ideli, novo alvo da Lava Jato

Ex-ministra do Governo Dilma será investigada em inquérito instaurado pela Polícia Federal, em Curitiba, com base na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado

Julia Affonso e Ricardo Brandt

15 Janeiro 2018 | 05h00

Ideli Salvatti. Foto: Ueslei Marcelino /Reuters

 

Um dos novos inquéritos abertos pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato, atinge a ex-senadora e ex-ministra Ideli Salvatti (Governo Dilma). A petista foi citada na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Além desta investigação, a PF abriu outros sete procedimentos. Além de Ideli são alvo da nova ofensiva da Lava Jato, o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB), o ex-deputado Cândido Vaccarezza (ex-PT/SP), o ex-deputado Jorge Bittar (PT), ex-deputado Edson Santos (PT), as obras do Estaleiro Rio Tietê e empresas que pagaram propina sobre contratos da subsidiária da Petrobrás.

O ex-presidente da Transpetro relatou, em sua delação, que Ideli era ‘líder de governo e candidata ao governo de Santa Catarina e disse que estavam sendo estudada a possibilidade de estaleiros’ no Estado.

“Ela iria disputar uma eleição ao governo e perguntou, por telefone, se o depoente poderia receber seu chefe de gabinete; que em seguida foi procurado pelo seu chefe de gabinete no hotel Bonaparte em que estava hospedado em Brasília; que ele perguntou se o depoente poderia colaborar na campanha de Ideli Salvatti (2010)”, relatou.

Sérgio Machado afirmou que ‘contatou uma das empresas que pagavam recursos ilícitos oriundos de contratos com a Transpetro (Camargo Corrêa) e foi viabilizado então o apoio via doação oficial’.

“No caso de Ideli Salvatti, foi feito um repasse de R$ 500 mil, pela Camargo Corrêa, no ano de 2010”, afirmou.

A reportagem não conseguiu contato com a Galvão Engenharia.

COM A PALAVRA, IDELI SALVATTI

O advogado Ticiano Figueiredo, que defende Ideli Salvatti, afirmou. “A delação do Sérgio Machado constitui exemplo clássico de colaboração desamparada de base empírica idônea apta a sustenta-la. Assim como aconteceu em outro caso, a defesa está muito segura que uma análise justa e isenta acarretara no arquivamento dessa investigação.”

COM A PALAVRA, EDSON SANTOS

O ex-deputado Edson Santos afirmou, por telefone. “Não tenho nada para falar desse negócio, essa mentira. O Sérgio Machado era para estar preso, isso foi uma verdadeira armação. O Sérgio Machado usou meu nome e de outras pessoas para entregar para a Polícia Federal. Não tenho problema em relação a isso. Não tenho nem advogado. Aquilo que ele falou no depoimento referente a um recurso para mim foi uma doação de uma empresa pra minha campanha, depositado no Banco do Brasil. Sérgio Machado, Jucá, essa turma aí, sinceramente… A verdade vai prevalecer.”

COM A PALAVRA, JORGE BITTAR

A reportagem tentou contato com Jorge Bittar por meio de sua rede social. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, HENRIQUE EDUARDO ALVES

A reportagem fez contato com a defesa de Henrique Eduardo Alves. O advogado informou que não tem como se manifestar no momento.

COM A PALAVRA, CÂNDIDO VACCAREZZA

A reportagem tentou contato com a defesa do ex-deputado Cândido Vaccarezza. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA

A Construções e Comércio Camargo Corrêa foi a primeira grande empresa do setor a firmar acordo de leniência para corrigir irregularidades e aprimorar seus controles internos e compliance para colaborar de forma permanente com a justiça.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

A Queiroz Galvão não comenta investigação em andamento.

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