Ideias fascinantes

Ideias fascinantes

José Renato Nalini*

25 de maio de 2021 | 12h00

José Renato Nalini. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

O mundo precisa cada dia mais de criatividade e engenho humano para vencer os desafios agravados pela multicrise universal. As vicissitudes enfrentadas pela humanidade reclamam postura de resiliência que nem sempre é detectada pela maioria das pessoas. A rotina dos usos e costumes inibe a implementação de novidades. Estas poderiam conferir novo sabor a tudo aquilo que não pode deixar de ser feito.

O mundo mudou e muita gente não percebeu. Fica deslocada e encontra dificuldades para enfrentamento das profundas mutações a que a vida foi submetida. Faltam lideranças engenhosas e atentas, capazes de provocar reações em escala.

Talvez o território mais desafiador seja o da educação. Indubitável que ela é a única chave suficientemente capaz de gerar a transformação de que o convívio não pode prescindir. Contudo, e evidente a dificuldade que os condutores do processo de preparação das novas gerações para o porvir encontram na revisão das surradas fórmulas de ensino e aprendizado.

Elaboram-se doutrinas, teses e múltiplas propostas. Tudo, porém, continua sob a anacrônica estratégia de proferir longas preleções, que já não conseguem atrair as mentes digitais insuscetíveis de apreensão do conhecimento por essa via convencional. o resultado é o pífio aproveitamento das maçantes aulas que não encontram mais um auditório interessado e atento.

Talvez não passe pela mentalidade tradicional dos educadores que a imensa maioria dos atuais educandos é formada por millenials. Nasceram depois das profundas alterações disruptivas geradas pela quarta revolução industrial.

Seu pensamento é digital, enquanto o dos professores continua analógico.

Mentes atiladas desenvolveram processos eficientes de transmissão da curiosidade, essencial ingrediente para quem queira aprender. daí , o sucesso dos eventos TED, resultantes da iniciativa de entidade engenhosa e sem fins lucrativos, hábil na exploração do universo da tecnologia, do entretenimento e do design. a missão de seus criadores é disseminar as ideias do que vale a pena espalhar.

Conseguem reunir os pensadores, influenciadores e os mais fascinantes ativistas do mundo, para que transmitam seu pensamento em falas que não podem ultrapassar 18 minutos. a regra tem sido observada e é notório que em 5 minutos alguém possa marcar presença definitiva em mentes alheias, com êxito maior do que obteria numa aula de 50 minutos.

Isso pode ser feito com facilidade em qualquer ambiente. A criatividade brasileira já se mostrou capaz de notáveis ousadias. Nem é obrigatório que um projeto dessa natureza se circunscreva ao universo da educação em sentido estrito.

Pense-se no sistema justiça. O uso das tecnologias da comunicação e informação mostrou-se exitoso. Ninguém pensou que o Poder Judiciário brasileiro, mormente o Paulista, sempre na vanguarda, pudesse multiplicar a sua produtividade como ocorreu durante a pandemia. Juízes afeiçoados às mais modernas tecnologias colheram resultados auspiciosos para um serviço estatal sempre acusado de invencível lentidão. Muitos deles podem ter desenvolvido sistemas aceleradores da prestação jurisdicional e se disporiam a partilhar com colegas e com servidores esse arsenal valioso.

Um outro campo de aplicação da tática Ted de Transmissão atraente e sedutora de verdadeiras dicas é aquele que se converteu no maior problema da humanidade: o aquecimento global. Sabe-se que a humanidade corre enorme risco dever interrompida a sua experiência neste planeta, em virtude do nefasto uso dos recursos naturais. Enquanto a maioria parece ignorar o concreto e real perigo, algumas pessoas predestinadas, solidárias e generosas, devotam-se a práticas salvíficas.

Há muitos exemplos escoteiros de ações benevolentes em relação à natureza. Semeadores que, de forma anônima e discreta, repõem o verde nas chagas abertas pela insensibilidade dos que desrespeitam o ambiente. Existem os que redescobrem os cursos d’água que deram lugar ao asfalto, num culto assassino de se prestigiar o automóvel e não o ser humano. Faltam os que se dedicam a sobrevivência de espécies ameaçadas , nem aqueles que se preocupam como destino da incrível tonelagem de resíduos sólidos, típicos de uma civilização do desperdício.

Não é impossível, mas perfeitamente viável, propagar tais experiências, utilizando-se de todos os meios disponíveis. Sem esquecer que o território da comunicação é uma concessão estatal sujeita a determinadas regras. dentre as quais a de envolver-se num consistente projeto de educação formal e informal.

Só haverá porvir digno e risonho para o Brasil, se houver o engajamento de toda a sua população, numa coesa cruzada de recuperação dos valores. Estes encontram-se em declínio numa nação que colheu seguidas decepções, em todas as áreas, e que precisa de um vigoroso ânimo para reerguer-se como comunidade Patriótica. Ânimo que não tem sido objeto de preocupação das pseudo-lideranças que frustraram o estoque de esperanças dos sofridos brasileiros.

*José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022

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