Ideias estúpidas, grandes negócios

Ideias estúpidas, grandes negócios

Cassio Grinberg*

28 de novembro de 2019 | 05h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

“Convidaremos as pessoas a postarem fotos de seus quartos, banheiros, de seus espaços mais íntimos, chamando estranhos para se hospedarem em suas casas, vai ser gigante!”, ironizou Joe Gebbia quando refletia sobre o pitch que resultou na maior empresa de hospedagem do mundo.

Existe, na cultura empresarial da Disney, um pensamento que diz que, se você acha que sua lógica o está afastando de uma boa ideia, primeiro deve questionar a lógica, e apenas depois a ideia. E são geralmente as “ideias estúpidas” que terminam por reinventar toda o funcionamento das indústrias existentes. O israelense Haim Saban, criador dos Power Rangers, costuma dizer que toda vez que ele expõe uma ideia e alguém o aconselha com ênfase “não faça isto”, ele pensa: ops, devo estar diante de algo!

Era uma ideia estúpida criar um produto com muito menos tecnologia para competir com a Gilllette no mercado de lâminas de barbear. Mas a Dollar Shave Club concebeu um modelo de assinatura por um dólar ao mês e tirou quase 30% de share da líder. Era uma péssima ideia vender hambúrguer por um preço cinco vezes maior que o do McDonald’s na década de 1980, e com um tempo de espera também cinco vezes maior. Mas Jerry Murrell, criador da Five Guys, colocou uma placa na porta de sua primeira loja: “se você está com pressa, existem ótimas hamburguerias aqui por perto”.

A Honest Tea foi a primeira marca do setor de bebidas nos Estados Unidos a não utilizar açúcar no produto. Criou uma bebida com “gosto de folha” — uma ideia péssima, mas não para Whole Foods Market, que colocou a bebida à venda em suas lojas, e nem para a Coca-Cola, que a comprou na busca da next billion dollar brand.

A Bally, empresa dona dos jogos operados por moeda, não quis saber da ideia de Nolan Bushnell de criar um jogo onde uma pessoa pudesse jogar individualmente. Perdeu com isso a oportunidade de lançar o Pong, base de tecnologia que permitiu a invenção do Atari.

É o que acontece quando quem tem oportunidade de desaprender e reinventar o modelo atual não dá ouvidos a essas ideias estúpidas. E com isso perde a chance de fazer grandes negócios.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.