I am Groot

Adriano Alves-Marreiros*

07 de maio de 2019 | 13h30

(Não contém Spoilers: não sabemos o que acontecerá nessa guerra infinita nem quando nos será dado o ultimato…)

Nos filmes dos Vingadores e dos Guardiões da Galáxia existe um fantástico herói que parece dizer sempre a mesma coisa. Na verdade, é assim que se fala qualquer coisa em grootês e, pelo que vi, só o Rocket e o Thor (o vingador, não o filho dos famosos) entendem a língua. Para evitar que interpretem mal o que direi e coloquem palavras na minha boca, terei que escrever parte do meu artigo nessa desconhecida língua. E por quê? I am Groot…

Principalmente depois de 2013, uma parte da população, não só no Brasil, percebeu, por causa das redes sociais, que não eram minoria tão pequena e, mais, que talvez nem fossem minoria e que por isso podiam, sim, dar sua verdadeira opinião sobre as coisas. Mas o que nos impedia antes disso? Precisamos ser francos: I am Groot…

Sim, era realmente lamentável. A partir de então, muita coisa mudou. Em vez de uma opinião praticamente única, aparentando consenso que nunca houve, passou a haver questionamentos que trouxeram de volta uma coisa que parecia já estar extinta: o debate. Passou a se chamar isso, então de polarização da Sociedade, algo a ser combatido! Mas por que se pretenderia evitar o debate, isso não é próprio da democracia? Não é o que a caracteriza: opiniões variadas? Passamos então a explicar detalhadamente: I am Groot…

Esse combate não ficou restrito à Sociedade em geral. Membros do judiciário e do MP (este, o defensor constitucional da Sociedade e da Democracia) também falavam e debatiam. Muito do que foi feito só foi possível porque a sociedade passou a saber detalhes do que ocorria. Porque passou a ouvir a versão de quem combatia diretamente a impunidade. Mas hoje há quem entenda que essa versão não deve ser dada nas redes nem na imprensa. Mas isso não é permitido na Constituição? Não é cláusula pétrea? E se isso for proibido, não vai continuar a ser contada a outra versão, que acabará prevalecendo, verdadeira ou não? Ora, não vamos nos precipitar, vale dizer que I am Groot…

E se o debate esquenta e ofensas são atiradas contra juízes e membros do MP e eles respondem duramente de volta? Deve-se esperar que sejam ovelhas fofinhas e se omitam, temendo responder? Mas não se exige deles que tenham personalidade firme e corajosa? É possível essa bipolaridade? Essa exige uma resposta mais longa: I am Groot.

Por fim, creio que já gastei todo o meu grootês explicando detalhadamente as razões do que estou falando. Tenho estado muito preocupado. Tenho medido muito as palavras. Tenho estranhado discursos que ouço acerca da natureza da liberdade de expressão. Aliás, eu não diria que tenho, eu diria que temos, porque no final de tudo, no momento do Ultimato, temos que lembrar que: WE are Groot…

*Adriano Alves-Marreiros é promotor de Justiça Militar e membro do MP Pró-Sociedade

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