‘Houve uma divisão de propinas’, diz acusador de Zelada

Pedro Barusco, delator da Lava Jato, afirmou à Justiça Federal nesta segunda, 14, que tinha uma conta para 'acertos' com ex-diretor de Internacional da Petrobrás

Redação

15 de setembro de 2015 | 11h49

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco guardou prova envolvendo a Odebrecht. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco guardou prova envolvendo a Odebrecht. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Um dos principais delatores da Operação Lava Jato, Pedro Barusco afirmou à Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, que repassou propinas para o ex-diretor de Internacional da Petrobrás Jorge Luiz Zelada. Em uma única operação, disse Barusco, foram repassados R$ 120 mil a Zelada.

Na audiência, o juiz federal Sérgio Moro perguntou ao delator. “Quando o sr trabalhou com Zelada houve direcionamento de vantagem indevida para ele?”

Barusco respondeu ‘sim’.

O juiz insistiu. “Pode descrever a situação?”

“Sei que foi mais de um contrato, mas só me lembro com certeza de um projeto da P 51 (Angra/Rio) onde a divisão tinha, além de mim, o dr. Renato Duque e uma parcela para o dr. Zelada.”

“O sr tratou desse assunto diretamente com Zelada?”, questionou o juiz.

“Tratei à época em que ele era gerente geral de Engenharia”, disse Pedro Barusco. “Depois que foi para a Internacional, a gente só fez uns acertos de contas, mas dessa parte relativa à área de Engenharia. Houve uma divisão de propinas, ele (Zelada) recebeu uma parte. Teve outros.”

O depoimento de Barusco ocorreu nesta segunda-feira, 14, no processo em que Zelada é réu, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Zelada está preso desde julho.Outro réu no mesmo processo é João Augusto Henriques, suposto lobista e operador do PMDB em negócios ilíticos na estatal. Segundo a Procuradoria, o PMDB teria sido destinatário de uma propina de US$ 10,8 milhões. O partido nega.

A força-tarefa da Lava Jato descobriu quase 12 milhões de euros em uma conta secreta de Zelada no Principado de Mônaco. Em sua delação, Barusco disse que o ex-diretor de Internacional tinha conta na mesma instituição financeira na Suíça em que ele tinha sua conta para receber propinas. A gerente das contas era a mesma funcionária do banco Safra, na Suíça.

Depois que estourou a Lava Jato, Zelada transferiu os ativos para Mônaco, a exemplo de Renato Duque.

Barusco confessou ter sido beneficiário de propinas em contratos de diretorias estratégicas da Petrobrás, principalmente nas áreas de Abastecimento e de Serviços, comandadas respectivamente por Paulo Roberto Costa e Renato Duque, réus da Lava Jato.

Barusco trabalhava como gerente de Engenharia na Diretoria de Serviços. Ele depôs na condição de testemunha arrolada pelo Ministério Público Federal. Afirmou que sobre o contrato da P51, estaleiro de Angra (RJ), pagou R$ 120 mil para Zelada.

O juiz federal Sérgio Moro perguntou a Barusco se havia um esquema de pagamento de propinas no âmbito da Diretoria de Serviços e gerência de Engenharia. “Sim, era pago um porcentual sobre grandes contratos, 1% ou 2%”, disse o delator.

O juiz da Lava Jato questionou Barusco se ele tinha conhecimento do mesmo esquema na Diretoria de Abastecimento. “Sim, a gente trabalhava para a Abastecimento.”

Sobre a Internacional. “Não tenho conhecimento. nunca particpei de nenhum negócio desse tipo com a área na Internacional.”

O juiz indagou se Zelada tinha ligação com João Henriques. “Sim, eles eram bstante próximos, eram amigos.”

Se sabe se João Henriques teve participação na indicação de Zelada para a Diretoria de Internacional. “Eu acredito que sim.”

O juiz perguntou se ele e Zelada tinham uma conta corrente conjunta para divisão de propinas. “Não era uma conta conjunta, era um acerto.”

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