Hotel de luxo para Teodorin era pago com dinheiro vivo em mochilas, revela testemunha

Hotel de luxo para Teodorin era pago com dinheiro vivo em mochilas, revela testemunha

Vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang, é alvo da Operação Salvo Conduto, deflagrada nesta quarta, 10, pela Polícia Federal em São Paulo, por suspeita de lavagem de dinheiro

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

11 Outubro 2018 | 05h30

Vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue, discursa na ONU Foto: REUTERS/Darren Ornitz

Uma funcionária do hotel Tivoli, em São Paulo, relatou à Operação Salvo Conduto – investigação da Polícia Federal contra o vice-presidente da Guiné Equatorial Teodoro Nguema Obiang por lavagem de dinheiro -, que as estadias costumavam ser pagas com dinheiro em espécie. Segundo ela, em 2017, valores chegaram ao hotel ‘por meio de portadores em motocicletas com mochilas’. Teodorin, como é conhecido, é vice do próprio pai, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, há 39 anos no poder da Guiné, situada na costa da África.

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“Conforme o depoimento, em São Paulo, os pagamentos pela estadia de Teodoro costumam ser efetuados com dinheiro em espécie, alcançando a quantia de R$ 600 mil. Em uma das ocasiões, no ano de 2017, os valores teriam chegado ao hotel por meio de portadores em motocicletas com mochilas, apresentando para pagamento cédulas no valor de R$ 5, R$ 10 e R$ 20”, destacou a juíza Michelle Camini Mickelberg, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo, que autorizou a deflagração da Operação Salvo Conduto, nesta quarta, 10.

A PF foi às ruas pela manhã cumprir sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Hortolândia, Jundiaí e no Distrito Federal. Um alvo dos federais foi o monumental triplex de mil metros quadrados, avaliado em R$ 70 milhões, que pertence a Teodorin, supostamente por meio de um ‘laranja’.

O apartamentaço do vice da Guiné fica à Rua Hadock Lobo, nos Jardins, em São Paulo.

Teodorin é alvo de dois inquéritos: um por lavagem de dinheiro ligado à compra do triplex, em 2008, por declarados R$ 15 milhões, e outro instaurado após a apreensão com sua comitiva, no dia 14 de setembro, de uma fortuna – US$ 16 milhões em dinheiro e relógios cravejados de diamante – no Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

São apurados dois atos de lavagem de dinheiro, o primeiro relativo à aquisição do deslumbrante triplex, por meio de suposto laranja, e o outro relacionado à ocultação de movimentação de bens e valores ao ingressar no Brasil, por Viracopos.

A PF pediu à Justiça Federal o sequestro do imóvel, dos bens e valores apreendidos no Aeroporto de Viracopos e de sete veículos de luxo – um deles avaliado em R$ 2 milhões -, entre os quais Maserati, Mercedes Benz, Porsche e Lamborghini.

As investigações prosseguem com a colheita de depoimentos, análise do material apreendido e pedido de cooperação jurídica internacional, para esclarecer a participação de todos os envolvidos.

O crime de lavagem de dinheiro é punido com penas que variam de 3 a 10 anos de reclusão.

O vice de Guiné foi condenado na França por adquirir propriedades com dinheiro público desviado de seu país de origem e investigado nos EUA, dentre outros crimes, por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

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