Hormônios a favor do organismo: como os implantes hormonais podem ser grandes aliados na saúde, na qualidade de vida e, de quebra, na estética

Hormônios a favor do organismo: como os implantes hormonais podem ser grandes aliados na saúde, na qualidade de vida e, de quebra, na estética

Carlos Eduardo Gracindo de Oliveira*

30 de abril de 2021 | 06h15

Carlos Eduardo Gracindo de Oliveira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Apesar de ter um certo ar de novidade, a reposição de hormônios através de implantes é a primeira forma de reposição hormonal, datada do ano de 1940. No Brasil, porém os implantes começaram a ser utilizados somente na década de 90, através do médico baiano Dr Elsimar Coutinho, o grande pioneiro desta modalidade de tratamento no país, que infelizmente veio a óbito no ano de 2020. Desde então, a demanda dos implantes hormonais vem crescendo bastante, com a chegada e abertura de novos laboratórios fabricantes, bem como novos tipos de implantes no mercado. Entretanto, sem dúvida nenhuma, ainda estamos engatinhando neste tratamento, quando comparado aos Estados Unidos da América.

Mas quais são as vantagens do tratamento por implante? A principal é a comodidade para o paciente, de forma que ele não precisará mais ficar tomando cápsulas diariamente ou injeções intramusculares semanais. Através da inserção de um pequeno tubo de silicone na parte interna do braço ou acima das nádegas, os hormônios são injetados sob a pele de forma indolor e com anestesia local, que podem durar de 6 meses até 1 ano dependendo do tipo e da função.

Com isso, não só o conforto é aumentado, mas também a aderência é potencializada, já que não há a chance de esquecimentos de tomar a medicação indicada. Outra grande vantagem é a liberação estável e gradativa do hormônio, garantindo níveis adequados do mesmo na circulação sanguínea, sem grandes oscilações como vemos em outras formas de reposição (como as intramusculares e transdérmicas).

No que se refere às indicações, temos um vasto campo como: tratamento do hipogonadismo masculino, tratamento hormonal feminino pós-menopausa, endometriose, controle de sintomas da TPM, contracepção. É muito comum que vejamos uma mulher de 20 anos com a testosterona mais baixa do que uma mulher de 40 anos ou até mesmo um homem de 60 anos tendo 4 vezes mais testosterona do que um de 30 anos, e nesses casos, a reposição hormonal é sugerida.

Para todas as indicações de tratamento, as doses do hormônio são totalmente individualizadas, permitindo assim usarmos a dose mais adequada para o paciente, garantindo melhor resultado terapêutico com menor quantidade de efeitos colaterais. As opções de hormônios para implante são diversas, como testosterona, estradiol, gestrinona, progesterona, estriol, dentre outros.

Um dado muito interessante e recém-divulgado foi da pesquisa americana ”Breast Cancer Incidence Reduction in Women Treated with Subcutaneous Testosterone: Testosterone Therapy and Breast Cancer Incidence Study” feita pelos autores Gary Donovitz e Mandy Cotten, que mostra uma diminuição de risco de câncer de mama por mulheres que usam implantes de testosterona.

Ela demonstra não só o benefício da reposição de testosterona, mas uma redução de 35% na incidência de câncer de mama invasivo, seja na pré ou pós menopausa. Uma informação de extrema importância no estudo é que a reposição de testosterona foi feita através de implante hormonal subcutâneo, e os autores enfatizam que tal resultado não pode ser reproduzido com outras vias de reposição como gel transdérmico. Isso se deve a liberação estável do implante, enquanto no gel há uma liberação bem errática, não conseguindo assim a mesma estabilidade nos níveis de testosterona.

Saúde e qualidade de vida em primeiro lugar

Pelo Conselho Federal de Medicina, não é recomendada a reposição hormonal para fins estéticos. Contudo, existe um hormônio específico chamado Gestrinona (conhecido como chip da beleza, nome este dado pela nossa queridíssima Hebe Camargo) que tem um grande apelo entre as mulheres. A Gestrinona tem indicação para tratamento de várias doenças e condições femininas como citadas acima (endometriose, sintomas da TPM, contracepção), porém ela tem um efeito androgênico (aumenta a testosterona livre da mulher) que impacta positivamente na sua composição corporal promovendo ganho de massa magra, perda de gordura e redução de celulite, por exemplo.

Desta forma, apesar de não ser uma indicação primária, o ganho estético deste hormônio é algo que chama muito a atenção das mulheres.

Uso com responsabilidade

No que tange às contraindicações do procedimento, basicamente são as mesmas contra indicações habituais dos hormônios. Desta forma, vemos que os implantes hormonais são a forma de reposição hormonal mais eficiente, promovendo grande conforto aos pacientes, além de serem extremamente seguros.

Entretanto, deve ser feita com muita responsabilidade. Efeitos colaterais podem surgir para o paciente, como voz grossa, aumento do clitóris, aumento de pelos, acne, alopecia, sangramento irregular. Por isso, é preciso analisar diversos fatores para a realização do procedimento, como idade, peso, grau de atividade física, doenças crônicas, histórico familiar, entre outros.

Vemos então que as vantagens são diversas, mas é preciso analisar cada caso a caso individualmente. O paciente deve procurar um especialista qualificado e tirar todas as suas dúvidas sobre o tratamento. Apesar de ser um procedimento ainda rodeado por polêmicas, trabalhar com “n” possibilidades de melhoria da saúde, do bem-estar, da qualidade de vida, e mudar vidas, é muito gratificante para nós profissionais que trabalhamos com os implantes hormonais.

*Carlos Eduardo Gracindo de Oliveira é médico, com residência clínica em Clínica Médica e Cardiologia. Posteriormente adquiriu título de especialista em terapia intensiva e se aprofundou no estudo da obesidade e nos principais distúrbios de hormônios sexuais masculinos e femininos. Membro da Androgen Society e da Obesity Society

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