Hidra de Lerna tem origem em três delações

Operação da Polícia Federal, cujo alvo maior é o governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi deflagrada nesta terça, 4, com autorização da ministra Maria Tereza de Assis Moura, do STJ

Fábio Fabrini, de Brasília

04 de outubro de 2016 | 11h54

Rui Costa. Foto: Reprodução/Facebook

Rui Costa. Foto: Reprodução/Facebook

A Operação Hidra de Lerna, que tem como alvo maior o governador da Bahia Rui Costa (PT), além do próprio partido e dois ex-ministros petistas, nasceu das revelações de três delatores da Operação Acrônimo – outra investigação que aponta para corrupção envolvendo o governador de Minas, Fernando Pimentel, também petista.

Em uma das delações, a dona da agência de propaganda Pepper, Daniele Fonteles, contou ter recebido da empreiteira OAS, via caixa 2, por serviços prestados à campanha de Rui Costa em 2014.

Nesta terça, 4, a PF fez buscas na sede do PT baiano e em endereços da empreiteira.

A PF pediu ao STJ autorização para realizar buscas no gabinete do governador Rui Costa, mas o Ministério Público Federal se manifestou contra essa investida.

Mário Negrmonte. Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Mário Negrmonte. Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Em outra frente, a operação mira suposto esquema do PP no Ministério das Cidades. Em sua colaboração, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené, afirmou ter recebido R$ 1 milhão da Propeg em 2010. O dinheiro teria sido repassado para o PP dos ex-ministros Mário Negromonte e Márcio Fortes, como ‘compensação por contrato de publicidade obtido pela agência’.

Em outra colaboração, uma funcionária de Bené, no entanto, disse que o valor pago pela Propeg foi ainda maior.

A operação busca provas sobre o real montante transferido ao empresário.

Também apontado como operador do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), em esquemas de corrupção, Bené atuaria como um ‘captador’ de negócios para a agência Propeg.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DA BAHIA:

O governo Rui Costa declarou que não tem informações sobre a Operação Hidra de Lerna

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DAS CIDADES:

O Ministério das Cidades informa que não recebeu nenhuma notificação sobre operação da Polícia Federal envolvendo recursos da Pasta, na manhã desta terça-feira (4).

Em poder das informações, a Pasta terá condições de avaliar do que se trata e capacidade de instaurar, imediatamente, Processos Administrativos Disciplinares para investigar a denúncia.

O Ministério das Cidades ressalta a disponibilidade em colaborar com todas as informações necessárias para garantir eficiência e transparência na aplicação dos recursos citados.

COM A PALAVRA, A PROPEG

Na manhã desta terça-feira, 4 de outubro, a Polícia Federal realizou buscas nos escritórios da Propeg em Salvador e Brasília e nas residências de executivos da empresa. Na ocasião, prestou-se todo o apoio à ação.

A Propeg tem auxiliado, por iniciativa própria, desde junho deste ano, as autoridades judiciais para esclarecer e apurar os fatos investigados. A agência antecipou-se e forneceu diversas informações, bem como prestou depoimentos espontâneos.

No que tange à agência, os fatos em apuração não possuem qualquer conexão com o Partido dos Trabalhadores, o Governador do Estado da Bahia e com a empresa OAS.

Com 50 anos de atuação, a Propeg age com correção, respeito às leis e seguindo as normas do mercado publicitário.

Propeg Comunicação