Healthcare e healthtechs: para onde caminha o mercado nacional?

Healthcare e healthtechs: para onde caminha o mercado nacional?

Alexandre Pierantoni*

04 de novembro de 2021 | 05h45

Alexandre Pierantoni. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia do coronavírus revelou a demanda global cada vez mais crescente por serviços de saúde acessíveis e de qualidade. Um binômio desafiador, nem sempre possível, mas o mercado brasileiro vem mostrando disposição, com inovação, para alcançar a maturidade verificada em outras regiões, como nos Estados Unidos e Europa.

Segundo levantamento realizado pela Duff & Phelps, a Kroll Business, as atividades de M&A no mercado de saúde nos Estados Unidos movimentaram, no primeiro semestre, o valor recorde de US$ 1,4 trilhão. No Brasil, de janeiro a setembro de 2021 foram anunciadas 72 transações, o que representa um crescimento de 112% em relação ao mesmo período de 2020.

Grande parte dessa movimentação ainda é atribuída ao que conhecemos como serviços tradicionais. São operadores de saúde, centros médicos, serviços de diagnóstico, produtores de equipamentos e o setor farmacêutico. Para estes mercados, prevê-se que a consolidação continuará avançando pelo interior do país, onde ainda há ativos importantes a serem considerados.

Impulsionado não apenas por fundos de venture capital e de private equity, mas pelos players estratégicos e os Corporate Venture Capital, que continuam num movimento de fusões e aquisições, o mercado caminha para a consolidação do setor de saúde entre cinco ou seis grandes players. E o mercado de capitais tem impulsionado estas atividades – foram 7 IPOs e follow-ons (abertura de capital das empresas ou operações sequenciais de captação).

Mas afora o mercado tradicional, há um universo de empresas que despontam com modelos inovadores de negócios, e tecnologias disruptivas que estão quebrando paradigmas. As healthtechs estão competindo, mas também colaborando, diretamente com as mais tradicionais empresas do mercado e em escala global.

Prestação de serviços tornou-se um ponto focal de análise e investimentos. Por exemplo, conforme os consumidores começaram a pesquisar alternativas às imagens de alto custo, os centros independentes surgiram como uma alternativa econômica e a busca por estes estabelecimentos, que podem oferecer serviços com imagens de melhor qualidade e flexíveis serviu como catalisador para a entrada das organizações de serviços independentes (Independent Service Organizations – ISOs, na sigla em inglês) no mercado em competição direta com os fabricantes de equipamentos originais (Original Equipment Manufacturers – OEMs).

Estamos falando, portanto, de uma expansão da cadeia e de criação de valor. Não são apenas fabricantes de equipamentos, mas empresas que oferecem prestação de serviços associados a equipamentos. Não é só o hardware, mas o serviço específico de atendimento, o serviço de imagem e até mesmo o serviço de inteligência artificial que presta uma segunda opinião ao diagnóstico médico.

O mercado norte-americano é invariavelmente uma referência nesse sentido. Hoje temos fundos de private equity e mesmo de capital aberto investindo em serviços de anestesia ou exames radiológicos, por exemplo. Mais do que a prestação do serviço em si, essas empresas têm acumulado um banco de dados valioso para seus potenciais compradores.

Ponto crucial a ser considerado no mercado nacional é a regulamentação desses novos serviços. As agências reguladoras responsáveis pelo setor, notadamente a Anvisa e a ANS, ainda carecem de agilidade e uma nova forma de pensar as novas tecnologias a fim de regulamentá-las. O cliente, o investidor e o mercado estão se desenvolvendo e não se deve frear este impulso, e sim, aproveitar o momento.

Assim como o mercado brasileiro assistiu ao nascimento das fintechs, das edutechs e das agritechs, o setor de healthcare/healthtech está passando por esta mesma evolução. Aqui, entretanto, o capital privado, de investimento na economia real, aliado à necessidade e ao impacto social, são ainda mais necessários e com efeitos perceptivos para todo o país.

*Alexandre Pierantoni é Head de Corporate Finance no Brasil da Duff & Phelps, A Kroll Business

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.