Hanseníase: entenda a doença

Lívia Botti*

02 de fevereiro de 2020 | 07h00

Considerada uma das doenças mais antigas do mundo, a Hanseníase foi registrada pela primeira vez no século 6 a.c, sendo conhecida naquela época como lepra. Mesmo com o passar dos anos, ela ainda se faz presente na sociedade e possui grandes números de incidência. Atualmente, o Brasil possui 13% dos casos registrados no mundo e é o segundo país com o maior número de incidência da doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2015. Nosso país fica atrás somente da Índia com 60% da parcela dos casos mundiais.

A Hanseníase é uma doença infecciosa, crônica e transmissível que é causada pela Mycobacterium leprae, um bacilo ou bactéria que consegue infectar um grande número de pessoas e, normalmente, acomete a pele e os nervos periféricos. Por ocasionar lesões neurais e ter um alto poder incapacitante, a doença é bastante temida pela população, o que leva muitos pacientes hansenianos a sofrerem o com preconceito e estigma social.

O contágio da doença se dá por meio da inalação de secreções nasais ou gotículas salivares, assim como pelo contato direto com feridas ulceradas de pacientes não tratados. O que acontece é que estas pessoas podem disseminar o bacilo através do líquido presente nas lesões, e também expeli-lo quando elas falam, tossem ou espirram. No entanto, é necessário que isso ocorra a vários anos para que a infecção se instale. É preciso deixar claro que pessoas com uma boa imunidade, podem não desenvolver a doença, mesmo se entrarem em contato com a bactéria.

A doença pode se manifestar por meio do surgimento de manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas que se elevam e ganham um aspecto de placas. Nos locais destas lesões há a diminuição ou perda da sensibilidade ao calor, frio e ao tato. Isso acontece porque os nervos periféricos são afetados pela doença. Assim que as extremidades dos nervos da pele são comprometidas, podem surgir as sensações de dormência e formigamento nas áreas em que se localizam as manchas. Se por fim, todo o nervo estiver danificado, pode ocorrer a perda de força e paralisia nas mãos e pés. Dentre outros sintomas da doença estão o aparecimento de nódulos e caroços no corpo, perda de pelos, alteração das secreções de suor, diminuição da força muscular, desenvolvimento de feridas crônicas nas solas dos pés, cegueira e o inchaço do nariz e orelhas.

A incubação da bactéria é lenta e pode levar anos entre o período de contaminação e o surgimento dos sintomas, mas é uma doença que possui cura. O tratamento é ambulatorial, não necessitando de internação, e pode levar cerca de seis meses em casos amenos, e até um ano para pessoas que apresentam quadros mais graves. Ainda no início do tratamento, a hanseníase deixa de ser transmitida.

*Lívia Botti, dermatologista da Clínica Penchel

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