Haddad mantém Chalita vice da chapa

Haddad mantém Chalita vice da chapa

Assessores do prefeito de São Paulo avaliam que delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado não atinge diretamente o ex-secretário municipal da Educação, cuja campanha, em 2012, teria recebido R$ 1,5 milhão em propinas da empreiteira Queiroz Galvão em operação de conhecimento de Michel Temer

Valmar Hupsel Filho

16 Junho 2016 | 17h21

Fernando Haddad (à esq) e Gabriel Chalita. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Fernando Haddad (à esq) e Gabriel Chalita. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, decidiu manter o ex-secretário de Educação, Gabriel Chalita, como pré-candidato à vice na chapa em que deve concorrer para a reeleição este ano. A informação foi confirmada por quem estava na reunião entre os dois, ocorrida nesta quinta-feira, 16, um dia depois da revelação do conteúdo da delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que afirmou ter acertado com o então presidente do PMDB, Michel Temer, a doação de R$ 1,5 milhão para a campanha de Chalita à prefeitura em 2012.

Entre os assessores do prefeito havia a preocupação de que as revelações feitas por Machado, que afirmou que todas as doações que negociou tiveram origem ilícita porque eram frutos de caixa dois feito pelas empresas doadoras, pudessem atingir a candidatura do petista à reeleição. Na reunião, foi feita a avaliação de que as afirmações de Machado não atingiram Chalita diretamente porque o delator fala de um diálogo entre ele e Temer, e não com o então candidato. Ficou decidido que, por enquanto, a aliança entre os dois está mantida.

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Chalita era um dos principais aliados do hoje presidente em exercício Michel Temer em São Paulo quando concorreu à prefeitura em 2012. Somente este ano, depois de ver o PMDB optar pela candidatura da senadora Marta Suplicy, Chalita deixou o partido e filiou-se ao PDT para concorrer a vice na chapa de reeleição do prefeito Fernando Haddad (PT).

Naquele ano, a campanha de Chalita foi majoritariamente (84%) financiada pelo Diretório Nacional do PMDB. Dos R$ 11,8 milhões declarados pelo candidato naquele ano, pouco mais de R$ 10 milhões foram repassados pelo partido à campanha entre os meses de agosto e outubro de 2012. No mesmo período, a empreiteira Queiroz Galvão fez um total de R$ 11,8 milhões em doações ao PMDB Nacional.

Não há, no entanto, registro de doação feita pela Queiroz Galvão diretamente á campanha de Chalita. No dia 28 de setembro, mês em que Machado indica ter tido a conversa com Temer, a conta do Diretório Nacional do PMDB registra uma doação da Queiroz Galvão no valor de R$ 1,5 milhão. Em virtude da precariedade dos dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, não há como afirmar qual foi a parte dos recursos doados pela empreiteira que foram repassados à campanha do peemdebista.

Chalita divulgou nota afirmando que não pediu ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, recursos ou qualquer tipo de auxílio para sua campanha à prefeitura paulistana em 2012. “Esclareço, ainda, que todos os recursos recebidos na minha campanha foram legais, fiscalizados e aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral”, escreveu.

“Com relação ao uso indevido de meu nome na delação de Sérgio Machado, assunto já noticiado há algumas semanas, reitero o que disse naquela ocasião: Não conheço Sergio Machado. Portanto, nunca lhe pedi recursos ou qualquer outro tipo de auxílio à minha campanha. Esclareço, ainda, que todos os recursos recebidos na minha campanha foram legais, fiscalizados e aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral”, afirmou Chalita, em nota.

Em nota, a presidência da República afirma que é inverídica a versão apresentada por Machado e que o presidente em exercício sempre respeitou os limites da lei para buscar recursos para campanhas eleitorais.

“Em toda sua vida pública, o presidente em exercício Michel Temer sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas. É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – pessoa com quem mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade”, diz o texto.

A Queiroz Galvão foi contatada via assessoria de imprensa mas até o momento não deu retorno.