‘Há algo de muito errado na indústria da delação’, diz defesa de Zelada

‘Há algo de muito errado na indústria da delação’, diz defesa de Zelada

Advogados de ex-diretor da área Internacional da Petrobrás entram com pedido de habeas corpus

Redação

14 de julho de 2015 | 04h00

Jorge Zelada, preso pela Polícia Federal, no Rio

Jorge Zelada, preso pela Polícia Federal, no Rio

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

A defesa do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Jorge Zelada entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4) na quinta-feira, 9. Zelada foi preso em 2 de julho na 15ª fase da Operação Lava Jato. O ex-diretor é suspeito de ter recebido propina em dois contratos de navios-sondas assinados em 2008 e 2009, com empresas internacionais, o ENSCO DS-5 e o Titanium Explorer.

“A bem da realidade, se, solto, Jorge Zelada ameaçasse a integridade da sociedade brasileira, juiz, que só indefere pleitos defensivos, Ministério Público e Polícia Federal teriam prevaricado por meses, porquanto as informações vindas do Principado de Mônaco e o próprio bloqueio e encerramento de conta já eram de ciência dos aludidos perseguidores, no mínimo, desde fevereiro do corrente”, diz a defesa.

Zelada foi citado na delação premiada do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. No documento de 32 páginas, os criminalistas Nélio Machado, Eduardo de Moraes, Alexandre Lopes, João Francisco Neto, Gabriel Machado e Renato de Moraes classifica a delação premiada como ‘a conta gotas’, ‘sempre se balizando na fala de criminosos-delatores’.

“Há algo de muito errado, para dizer o menos, na indústria da delação em que se transformou a capital do Paraná, sob o controle da 13ª Vara Federal Criminal”, sustenta a defesa.

Transferências ocultas de somas milionárias realizadas por Jorge Zelada foram um dos motivos da decretação de sua prisão preventiva, ordenada pelo juiz federal Sérgio Moro. Rastreamento da força-tarefa da Procuradoria da República e da Polícia Federal indica que Zelada transferiu pelo menos US$ 1 milhão para uma conta na China. Antes, entre julho e agosto de 2014 – quatro meses após a deflagração da fase ostensiva da investigação sobre corrupção e desvios na Petrobrás -, Zelada realizou outras duas transferências no montante de 7,55 milhões de euros da Suíça para o Principado de Mônaco.

“Jorge Zelada, funcionário de carreira de Petrobras, que galgou, por êxito profissional-pessoal, toda a hierarquia estatal, até alcançar o cargo de Diretor da Área Internacional, tem filhos, netas e mãe, com grave patologia, que reside em sua casa e depende dele para sobreviver”, afirmam os criminalistas.

Zelada sucedeu Nestor Cerveró na Diretoria de Internacional. Cerveró está preso desde janeiro na Custódia da Polícia Federal no Paraná, sob suspeita de ter recebido R$ 30 milhões em propinas.

“A repercussão, nos meios de comunicação, que, propositalmente, os investigadores (o triunvirato: juiz, Ministério Público e Polícia Federal) da “Lava-Jato” têm imprimido às espetaculosas operações e aos atos processuais dispensa tópico introdutório acerca da gênese do decreto de prisão preventiva ora Atacado”, apontam os criminalistas. “Não há reiteração delitiva alguma a sustentar a custódia do ex-diretor da Área Internacional, entre 2008 e 2012, salvo o desiderato de punir sem processo, antecipar preconcebidas reprimendas corporais, escarmentar a honra alheia, em detrimento da Lei Maior, a pretexto de “moralizar” o País.”

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