Guedes defende a venda do Banco do Brasil em reunião do governo

Guedes defende a venda do Banco do Brasil em reunião do governo

Em dezembro, o presidente Bolsonaro havia descartado a possibilidade de o banco estatal ser privatizado

Julia Lindner, Rafael Moraes Moura, Jussara Soares, Amanda Pupo, Paulo Roberto Netto, Bianca Gomes, Marcelo Godoy, Rayssa Motta e Pepita Ortega

22 de maio de 2020 | 18h44

Na reunião ministerial de 22 de abril, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse “tem que vender essa porra logo” em referência ao Banco do Brasil. Segundo ele, o governo faz “o que quer” com a Caixa Econômica Federal e o BNDES. Já no BB, disse que “a gente não consegue fazer nada” e “tem um liberal lá”, o presidente Rubem Novaes. Assista:

Para Guedes, o Banco do Brasil “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”. “Se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.’ . Aí se falar assim: “bota o juro alto”, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirmou o ministro da Economia durante encontro com ministros e outras autoridades, entre elas Novaes.

“É um caso pronto e a gente não está dando esse passo. O senhor (presidente) já notou que o BNDE e o … e o … e a Caixa que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo”, reforçou Guedes.

O ministro da Economia Paulo Guedes durante a reunião ministerial de 22 de abril. Foto: Marcos Corrêa/PR

Em seguida, Bolsonaro brincou que seria preciso dispensar o presidente do Banco do Brasil na próxima reunião. Novaes afirmou que o povo vê o BB como um “porto seguro”. Durante a conversa, Guedes também brinca que o presidente do banco deveria “confessar o seu sonho” de privatizar a estatal”.

“Apesar de todo o aumento de risco que passou haver no sistema bancário. O Banco do Brasil está expandido bastante seus empréstimos. A agricultura, a ministra Tereza Cristina é testemunha aqui de que o apoio está sendo muito grande e nós estamos em uma situação confortável, ministro. Primeiro porque em termos de liquidez, a, o público vê o Banco do Brasil como um porto seguro”, disse Novaes.

Em certo momento, Guedes interrompe e diz para Novaes “confessar o seu sonho”. “Deixa para depois, confessa não”, diz Bolsonaro. “Faz assim, só em 2023 você confessa, agora não”, continua o presidente da República.

Novaes riu e o assunto poderia ser discutido em um seminário. “Fica só o lado ruim de ser estatal, pesando no Banco do Brasil. Quer dizer, a gente não tem a mesma facilidade de contratação, a gente não tem a mesma facilidade de demissão de maus funcionários e assim vai por diante”, afirmou o presidente do BB.

A reação do ministro ocorreu dias depois de ele apostar no arsenal dos bancos públicos – Caixa, banco do Brasil e BNDES –, cerca de R$ 207,8 bilhões de recursos para emprestar a empresas e pessoas físicas. A oferta de crédito abundante, que até agora derrapa no enfrentamento da crise, era uma das  apostas do ministro para enfrentar o impacto na economia da pandemia de covid-19 e evitar uma queba maio do Produto Interno Bruto  (PIB) neste ano.

No fim do ano passado, Guedes teria cogitado a privatização do banco, logo desmentida pelo presidente Bolsonaro. Essa não é a primeira vez que o ministro ataca os bancos públicos. Em maio de 2019, sua fúria voltou-se contra a Caixa. Guedes afirmou então que a função de um banco público era passar seu excesso de receita para taxas de juros menores e não dar lucro como uma instituição privada. “Se é pra dar lucro, privatiza logo. Pra que eu vou ter um banco com 21 mil agências no Brasil todo para dar lucro máximo? Se for pra isso, privatiza, vende, funde com o Banco do Brasil”, disse Guedes.

Tudo o que sabemos sobre:

Paulo GuedesBanco do Brasil

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.