Guaxupé reelege apenas uma vereadora da ‘farra das diárias’

Guaxupé reelege apenas uma vereadora da ‘farra das diárias’

Luzia Angelini Silva (PSB), condenada por improbidade, é o único nome de doze políticos da Câmara da cidade mineira a se manter no cargo pelo voto

Mateus Coutinho

03 de outubro de 2016 | 16h32

Câmara Municipal de Guaxupé. Foto: Divulgação

Câmara Municipal de Guaxupé. Foto: Divulgação

Depois de ver doze dos treze vereadores condenados por improbidade no escândalo conhecido como “farra das diárias”, a população de Guaxupé, cidade de 49 mil habitantes no interior de Minas Gerais, trocou quase todos os parlamentares e reelegeu apenas dois no pleito de domingo, 2: o único vereador não envolvido no escândalo, e uma das envolvidas.

João Fernando de Souza, do PSDB, foi o único que não foi denunciado pelo Ministério Público de Minas e acabou sendo o mais votado neste ano, com 1.174 votos.

Já Luzia Angelini Silva, do PSB, obteve 494 votos – ela foi condenada por improbidade em agosto com outros onze vereadores da atual legislatura por terem supostamente desviado R$ 159 mil dos cofres públicos do município em fraudes nas diárias concedidas aos vereadores.

A condenação foi em primeira instância e ainda cabe recurso, por isso Luzia não teve sua candidatura barrada.

Luzia também responde a uma ação penal com seus onze colegas pelos crimes de dispensa ilegal de licitação, apropriação indevida do dinheiro público e formação de quadrilha, no escândalo da “farra das diárias”.

Além da condenação por improbidade neste ano, a vereadora aguarda o julgamento de uma outra ação que a condenou por improbidade há 15 anos. Este caso, porém, está no Superior Tribunal de Justiça aguardando julgamento.

Sentença. Em 18 de agosto, o juiz Milton Biagioni Furquin, da Comarca de Guaxupé, condenou 12 dos 13 vereadores do município por improbidade administrativa e determinou a perda da função pública dos parlamentares.

Na sentença, o juiz do caso afirma que os vereadores demonstraram ‘inaptidão para o exercício do cargo que lhes foi confiado, traindo as instituições públicas e os princípios que regem a Administração’.
O magistrado considera ainda que ‘o desprezo dos réus com a legalidade e moralidade torna a aplicação dessa reprimenda (perda da função pública) adequada à espécie’.

Além da perda da função pública, a sentença determina que os parlamentares devolvam em conjunto os R$ 159 mil que teriam sido desviados. Cada um ainda foi condenado a multa de três vezes o valor individual que o teria beneficiado.
Da sentença, cabe recurso.

A reportagem não localizou a vereadora Luiza. O espaço está aberto para sua manifestação.

 

 

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