Grupo fraudava INSS usando ‘crianças falsas’, diz PF

Grupo fraudava INSS usando ‘crianças falsas’, diz PF

De acordo com as investigações, que resultaram na Operação Anjos, o grupo simulava casamentos entre pessoas já falecidas e apresentava certidões de nascimento fraudulentas

Constança Rezende/RIO

26 de abril de 2018 | 16h15

Documentos apreendidos durante operação

Uma suposta quadrilha acusada de fraudar o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), desmantelada nesta quinta-feira, 26, pela Polícia Federal, inventava “crianças falsas” (inexistentes) para conseguir benefícios irregulares no Rio. De acordo com as investigações, que resultaram na Operação Anjos, o grupo simulava, por documentos, casamentos entre pessoas já falecidas. Depois, apresentava certidões de “nascimento” de supostos filhos do casal (que não existiam) para conseguir a pensão.

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Segundo a PF, pelo menos seis pessoas participavam desse suposto bando. São advogados, falsificadores e empresários. Quatro suspeitos foram presos preventivamente até às 11h30 desta quinta-feira. Os beneficiários das fraudes recebiam a pensão sempre em seu valor máximo. O prejuízo estimado é de R$ 12 milhões. Em outra fraude, a PF estima que os desvios chegaram a R$ 14 milhões. Somadas, as duas quadrilhas desviaram R$ 26 milhões.

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O grupo que inventava crianças era investigado desde 2015. “Criava” pessoas com certidões de nascimento e documentos de identidade falsos.

Também foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio, na capital fluminense, Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu. Em um dos endereços, segundo a delegada Simone Soares, foram encontrados álbuns com fotos 3×4 de crianças e adultos.

“Elas seriam utilizadas para ‘criar’ pessoas que seriam as beneficiárias da pensão e também para abrir contas em banco, fazer cartões”, disse a delegada”, completou o delegado Paulo Teles.

O delegado explicou que havia duas vantagens em criar “crianças falsas” pela quadrilha, sempre após dois anos da “morte” do casal fictício.

“A primeira era que o grupo conseguiria o benefício retroativo relativo a esse período, a outra era que, por ser criança, a pessoa poderia receber a pensão por mais tempo”, disse o delegado.

Documentos falsos. Em outra operação contra fraudes no INSS desencadeada nesta quinta-feira, 26, chamada Sepulcro Caiado, a Polícia Federal cumpriu 32 mandados de busca e apreensão. Foram cumpridos na capital fluminense, Duque de Caxias, São João de Meriti, Paracambi, Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio e Araruama. Três mandados de prisão preventiva forma expedidos; dois foram cumpridos pela manhã.

Nessa ação, foi investigada a atuação de uma organização criminosa, que contava com a suposta participação de um servidor do INSS. As fraudes também eram feitas por meio da produção e utilização de documentos falsos para obter benefícios previdenciários irregulares.

O suposto chefe da quadrilha é um advogado, ex-servidor do INSS, já demitido da autarquia por corrupção. Ele continuou atuando em diversas fraudes, inclusive representando pessoas fictícias (fantasmas) em ações previdenciárias na Justiça.

Outros dois servidores do INSS, um deles já demitido por corrupção, também participavam das fraudes. Somadas as duas operações, a polícia estima que 140 benefícios tenham sido fraudados. O número, porém, pode ser ainda maior.

“Levando em conta a expectativa de vida brasileira, conseguimos economizar pelo menos R$ 93 milhões dos cofres públicos por essas duas operações”, disse o coordenador-geral de Inteligência da Previdência Marcelo Ávila.

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