‘Grupo de WhatsApp virou organização criminosa’, ironiza Flávio Bolsonaro após Alexandre de Moraes abrir nova investigação

‘Grupo de WhatsApp virou organização criminosa’, ironiza Flávio Bolsonaro após Alexandre de Moraes abrir nova investigação

Ministro do Supremo Tribunal Federal arquivou inquérito dos atos antidemocráticos, como pediu a PGR, mas mandou abrir novas frentes de apuração conexas

Rayssa Motta

01 de julho de 2021 | 21h51

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Foto: Dida Sampaio / Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) criticou nesta quinta-feira, 1º, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abrir uma investigação para apurar a possível existência de uma organização criminosa voltada à promoção de ataques contra as instituições democráticas e seus integrantes.

Nas redes sociais, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou a linha de investigação.

“Lamento profundamente a instauração de novo inquérito de “Fake News” pelo min Alexandre de Morais. Mobilização política para combater a oposição ao governo Bolsonaro foi transformada em “ataque à democracia”. Grupo de WhatsApp virou “organização criminosa”. Surreal (sic)”, escreveu.

O novo inquérito deriva da investigação aberta em abril do ano passado para apurar a organização, a divulgação e o financiamento de manifestações em defesa da volta da ditadura militar, da intervenção das Forças Armadas e contra os Poderes Legislativo e Judiciário – o chamado inquérito dos atos antidemocráticos, que foi arquivado a pedido da Procuradoria Geral da República.

Nessa nova frente, a Polícia Federal vai aprofundar a apuração em torno de grupos organizados em prol de ataques contra a democracia. Segundo Moraes, os métodos e núcleos estruturados – produção, divulgação, político e financeiro – são ‘absolutamente semelhantes’ àqueles identificados no inquérito das fake news, que também corre sob relatoria do ministro.

“Observa-se, de forma comum aos dois inquéritos, a existência de grupos coordenados que utilizam, de forma recorrente, redes sociais e mídias alternativas como instrumentos para a concretização de atos de disseminação de notícias fraudulentas para atacar membros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades constituídas, para a promoção de ataques às próprias Instituições Democráticas de representação política e social do Brasil, especialmente quanto à legitimidade do Poder Legislativo. Além do uso de meios comuns para a realização dos ataques, observa-se parcial identidade dos sujeitos investigados”, escreveu Moraes ao determinar a investigação.

Esses grupos, segundo o ministro, podem ter contado com apoio de agentes públicos e deputados bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e Daniel Silveira, réu por ataques ao STF, além do assessor especial da presidência Tércio Arnaud. O blogueiro Allan dos Santos, dono do portal Terça Livre, também é citado como possível integrante.

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