Grupo anticorrupção pede à PF que esclareça se delegado foi afastado da Lava Jato

Eduardo Mauat, que no face parabenizou manifestantes que foram às ruas domingo, 16, contra o governo, Lula e corrupção, teria sido excluído da investigação; PF nega

Redação

18 de agosto de 2015 | 16h25

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Por Andreza Matais e Fábio Fabrini

Rumores de que o delegado Eduardo Mauat teria sido afastado da Operação Lava Jato levaram a Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos a divulgar nesta terça-feira, 18, carta aberta ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello Coimbra. Formada por 44 entidades que combatem a corrupção, Aliança solicita ao ministro e ao chefe da PF que ‘respeitosamente esclareçam de público, e com urgência, os motivos que os levaram a não prorrogar a missão do delegado da PF Eduardo Mauat, lotado no Rio Grande do Sul, junto à equipe da Operação Lava Jato, em Curitiba’.

Documento

Mauat é personagem central da investigação sobre corrupção, cartel e propinas na Petrotrás. Metódico e perspicaz , ele integra a força-tarefa da Lava Jato na Polícia Federal. No domingo, 16, ele postou em seu face mensagem de apoio aos milhares de manifestantes que saíram às ruas para protestar contra o governo Dilma Rousseff, a corrupção e o ex-presidente Lula. “Achei interessante as pessoas nas ruas”, anotou o delegado.

Segundo a PF, Mauat não foi afastado da Lava Jato. O seu ‘recrutamento’ para a força-tarefa, diz a PF, esgotou no dia 31 de julho, por isso ele voltou ao seu posto de origem, Rio Grande do Sul. A PF afirma que nada impede o retorno de Mauat a Curitiba.

Mauat declarou ao Estadão, na noite desta segunda-feira, 17, que decidiu se manifestar nas redes sociais por achar “importante que as pessoas participem, se conscientizem”.

Sobre se o post pode prejudicar sua volta à Lava Jato, afirmou: “Se houver retaliação, isso significará uma interferência indevida.” Ele disse que pediu afastamento da Lava Jato no final de julho porque “estava cansado”, mas que pretende retornar até porque disse ter agenda a cumprir nesta semana. “O post é meu. Não coloquei nada contra A,B ou C. Achei interessante as pessoas nas ruas.”

“Estamos cientes de que a ausência do delegado Mauat prejudica fortemente o andamento das investigações até então sob a sua responsabilidade, e alertamos a V. Sas.que tal decisão atropela o desejo explicitado pelo povo brasileiro nas manifestações de 16 de agosto”, diz a carta aberta ao ministro e ao diretor-geral da PF.

As entidades agrupadas na Aliança destacam que ‘é mais do que de interesse público que os recrutamentos da PF para a Lava Jato devem estar na lista de prioridade da direção da Polícia Federal.”

Aliança conclui a carta aberta ao ministro e ao diretor-geral da PF. “Estamos atentos a qualquer tentativa de sufocamento das investigações da Operação Lava Jato, razão pela qual conclamamos o espírito republicano de V.Sas.para que seja efetivada de imediato a reintegração do delegado Mauat à sua equipe de investigações.”

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