Greve dos caminhoneiros faz Moro suspender audiência do sítio de Atibaia

Greve dos caminhoneiros faz Moro suspender audiência do sítio de Atibaia

Juiz da Lava Jato determinou que sejam remarcadas audiências da segunda-feira, 28, em razão do 'expediente cancelado' da Justiça Federal devido à paralisação da categoria

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

25 Maio 2018 | 15h22

Sérgio Moro. Foto: Reprodução

Em meio à greve dos caminhoneiros, o juiz federal Sérgio Moro suspendeu audiências na ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu envolvendo as reformas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia. O magistrado afirmou que há depoimentos marcados para dia 28 de maio, pela manhã e pela tarde, data em que foi cancelado o expediente da Justiça Federal de Curitiba.

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Em despacho, o magistrado afirmou que ‘há uma pauta de reivindicação legítima da respeitável categoria e que deve ser avaliada pelas autoridades competentes’.

“No entanto, o prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades”, escreveu.

O magistrado destaca que o ‘deslocamento entre as cidades e mesmo dentro delas tem sido prejudicado, com afetação dos serviços públicos e inclusive de prestação de Justiça’.

“Na presente data, o expediente na Justiça Federal de Curitiba foi cancelado, muito embora seja intenso o trabalho interno dos servidores”, anotou.

“Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação e antes que ocorram episódios de violência, mas considerando a incerteza em relação aos próximos dias, é o caso de, por prudência, suspender as audiências do dia 28/05/2018 e, oportunamente, redesigná-las”, concluiu.

O caso envolvendo o sítio resultou na terceira ação contra Lula na Lava Jato. Segundo a acusação, Odebrecht, OAS e Schahin, por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras no sítio em troca de contratos com a Petrobrás. O imóvel foi comprado no fim de 2010, quando Lula deixava a Presidência, pelos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. O ex-presidente nega ter recebido vantagens indevidas das empreiteiras.

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