Greenfield pede prorrogação a Aras e alerta para dificuldades em cumprir metas com equipe atual

Greenfield pede prorrogação a Aras e alerta para dificuldades em cumprir metas com equipe atual

Força-tarefa que mira desvios e gestão fraudulenta de fundos de pensão avisa procurador-geral da República que, sem aumento da estrutural atual, metas previstas para 2022 podem ficar para 2042

Paulo Roberto Netto

31 de outubro de 2020 | 16h50

A força-tarefa da Operação Greenfield, que mira desvios e gestão fraudulenta em fundos de pensão, pediu ao procurador-geral Augusto Aras que prorrogue os trabalhos da equipe até o fim de 2021 ou até a criação de um novo modelo de investigação. Em ofício enviado à cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR), os procuradores alertam para dificuldades enfrentadas desde a redução de membros da equipe com dedicação exclusiva para os projetos.

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Anteriormente composta por cinco procuradores dedicados somente à Greenfield, a força-tarefa é hoje formada por colaboradores eventuais que acumulam os trabalhos em seus ofícios com os processos da operação. Em julho, a PGR cortou a dedicação exclusiva de dois membros, garantindo a prerrogativa somente ao coordenador do grupo, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, que deixou a força-tarefa no início de setembro alegando justamente dificuldades em conduzir os trabalhos com os entraves impostos pela PGR.

No ofício à cúpula da Procuradoria, a força-tarefa diz que se não houver aumento na equipe, o prazo estimado para o cumprimento das metas da operação, previsto para 2022, ficará para setembro de 2042.

“A estrutura cada vez mais deficitária da FT (força-tarefa) pode acarretar graves prejuízos ao andamento das ações e investigações e incrementa o risco de prescrição das metas não cumpridas”, destaca a Greenfield. “Conforme atual plano de ação desta FT, das 189 metas (macroações e tarefas), 81 estão cumpridas, portanto, faltam 108 metas a serem cumpridas, o que equivale a 57,14%, não tendo sido alcançada nenhuma meta em julho, o que já indica preocupante diminuição da produção de resultados, que começou a ocorrer com a saída de dois membros, em outubro de 2019, que atuavam com exclusividade na FT”.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Atualmente a Greenfield cuida de 49 ações penais e 32 ações de improbidade contra 171 pessoas e 29 empresas envolvendo desvios e gestão fraudulenta de fundos de pensão, como o Petros e o Funcef. As investigações atingiram políticos como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e até chegou a mirar o atual ministro da Economia, Paulo Guedes. A força-tarefa também é responsável por acordos de leniência e processos de reparação de danos.

No ofício à PGR, os procuradores destacam que ainda possuem 24 casos a serem investigados e quase R$ 3 trilhões em movimentações financeiras que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça e agora precisam ser avaliadas.

O prazo para continuidade dos trabalhos é 31 de dezembro deste ano – no pedido, a força-tarefa pede a prorrogação até o fim de 2021 ou até a formação de um novo modelo de investigação, que está sob estudo dentro da PGR. Entre as propostas em discussão está a criação de uma Unidade Nacional Anticorrupção (Unac), que centralizaria os trabalhos das atuais força-tarefa em Brasília, concentrando poderes na PGR, e a implantação do modelo de Grupos de Atuação Especial (Gaecos) em outros Estados.

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