Grande desafio para o Brasil é não deixar a democracia morrer, diz Raquel

Grande desafio para o Brasil é não deixar a democracia morrer, diz Raquel

Rafael Moraes Moura

12 de setembro de 2019 | 22h08

Raquel Dodge: ‘O subsídio em parcela única implica em unicidade de remuneração’. Foto: Andre Dusek/Estadão

BRASÍLIA – Às vésperas de entregar o cargo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse nesta quinta-feira (12) que o grande desafio para o Brasil neste século é não deixar a democracia morrer. Emocionada, a procuradora rebateu as críticas de que teria desacelerado o ritmo de trabalho da Lava Jato no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) e desejou êxito para o subprocurador-geral Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para chefiar o Ministério Público Federal (MPF) pelos próximos dois anos. O nome de Aras ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

“Eu acho que o grande desafio no século 21 para o Brasil e para vários países é de não deixar que as democracias morram. Muitas coisas as vezes acontecem em ondas, há avanços e também retrocessos e eu percebo com alguma preocupação muitos sinais de retrocesso no tocante às democracias liberais no mundo e eu espero que isso não aconteça no Brasil”, disse Raquel Dodge a jornalistas, ao deixar o edifício-sede do Supremo Tribunal Federal (STF) após participar da sessão plenária desta quinta-feira.

“Eu trabalhei com muito zelo, com muito empenho e creio que atingi muitas das metas que estabeleci, e todas elas voltadas para o fortalecimento da democracia brasileira, para a defesa dos direitos fundamentais e pro fortalecimento da própria atuação do Ministério Público”, afirmou. O mandato da atual procuradora termina no dia 17.

Lava Jato

Em uma rara conversa com jornalistas no Supremo, Raquel Dodge disse que ampliou o número de procuradores nas forças-tarefas da Lava Jato no Rio de Janeiro, São Paulo e no Paraná, e autorizou o aumento de verbas necessárias para custear os trabalhos dos procuradores na operação.

“A maior parte das peças (manifestações) que ajuizei aqui no STF estão sob segredo de justiça, são sigilosas, e no tempo próprio elas expressarão o empenho com que eu trabalhei no enfrentamento da corrupção naquilo que me cabe de atuação originária aqui no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça”, disse Raquel Dodge, ao ser questionada sobre as críticas de que a Lava Jato desacelerou sob a sua gestão.

Sucessão

Sobre o subprocurador-geral da República Augusto Aras, indicado por Jair Bolsonaro para chefiar o Ministério Público Federal (MPF), Raquel Dodge disse que deseja muito êxito para o colega.

“Devemos trabalhar para fortalecer a continuidade das instituições, quero fazer uma transição muito tranquila, apoiadora, acho que o Ministério Público é uma instituição relevante para o Brasil e tudo o que puder fazer para que meu sucessor encontre uma casa organizada, eu farei”, destacou ela.

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