Gráficas de ‘Chico Gordo’, alvo da PF, disputaram uma mesma licitação

Gráficas de ‘Chico Gordo’, alvo da PF, disputaram uma mesma licitação

LWC e Forma Certa, do ex-deputado do PT Francisco Carlos de Souza, investigado na Operação Cifra Oculta que mira Haddad, participaram do certame para fornecimento de material escolar em 2010 no município de Várzea Paulista

Luiz Vassallo

05 de junho de 2017 | 05h00

Duas gráficas ligadas a Francisco Carlos de Souza, o Chico Gordo, ex-deputado estadual do PT e alvo da Operação Cifra Oculta – desdobramento da Lava Jato -, competiram entre si em edital de licitação para o fornecimento de material escolar na cidade de Várzea Paulista, interior de São Paulo, em 2010. Na ocasião, o município era administrado pelo PT.

Os documentos do edital foram obtidos pelo Estado, por meio da Lei de Acesso à Informação.
A LWC e Forma Certa – que também são praticamente vizinhas, no bairro do Belém, na capital paulista -, disputaram juntas a licitação de Várzea Paulista. Outra empresa habilitou-se para o certame. Ao fim do edital, a LWC saiu vencedora de 8 dos 12 lotes, e outra gráfica, sem ligação com o petista, levou os outros 4.

O contrato da Prefeitura de Várzea com a LWC era de R$ 1,2 milhão.

Em 5 dos 12 lotes da licitação, somente as gráficas ligadas a Chico Gordo fizeram propostas Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira, 1, a Polícia Federal deflagrou a Operação Cifra Oculta, investigação que mira a campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

Com autorização da Justiça eleitoral, os federais fizeram buscas e apreensões nos endereços de um grupo de gráficas ligadas a Chico Gordo.

 

Os investigadores suspeitam que por essas gráficas circularam repasses de R$ 2,6 milhões ilícitos destinados à campanha do petista. A base da Cifra Oculta é a delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, alvo da Lava Jato. Um executivo da empreiteira, Valmir Pinheiro, também colaborou. Ambos citaram o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto como tendo solicitado pagamentos às gráficas.

Chico Gordo é um personagem emblemático do PT, agremiação pela qual exerceu o mandato de deputado estadual entre os anos de 1987 e 1991.

Enquanto sindicalista, Gordo atuou pela categoria dos metalúrgicos e foi dirigente da CUT até 1989. Posteriormente à carreira no Legislativo, tornou-se um dos empresários mais requisitados pelo partido em São Paulo e pelos sindicatos ligados à legenda para imprimir materiais de campanha e de gabinete de parlamentares estaduais.

As empresas do sindicalista, acusadas pelo Ministério Público Federal de receber R$ 2,6 milhões de caixa dois da UTC Engenharia na Lava jato, prestaram serviços inclusive para as campanhas presidenciais de Dilma Rousseff, em 2010 e em 2014.

Por meio da LWC Gráfica Editora, Chico Gordo recebeu R$ 2,3 milhões, em 2010, para a impressão de propaganda eleitoral de diversos candidatos – a maioria do PT, do PSOL e do PV. Outra gráfica ligada a ele, a Forma Certa, está em nome de parentes. Ela recebeu R$ 232 mil para os mesmos serviços.

A Forma Certa, que também tem familiares de Francisco Carlos de Souza como sócios, segundo a Junta Comercial de São Paulo, administrou uma Loja Online de produtos do PT, em parceria com o diretório estadual do partido.

No registro de propriedade do site do empreendimento, um dos contatos dos sócios é de Chico Gordo. No anúncio oficial do empreendimento, ele é apresentado como ‘sócio da iniciativa’, destinada à venda de camisetas, bottons, entre outros artigos à militância da legenda.

COM A PALAVRA, CHICO

O empresário e ex-deputado estadual não foi localizado pela reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

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