Graça Foster contrata advogado de Queiroz para se defender na Lava Jato

Graça Foster contrata advogado de Queiroz para se defender na Lava Jato

Alvo da fase 64 'Pentiti' da operação, ex-presidente da Petrobrás constitui para fazer sua defesa o escritório Klein Advogados que já representa o ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, Fabrício Queiroz

Ricardo Brandt e Pepita Ortega

30 de agosto de 2019 | 14h18

A ex-presidente da Petrobrás Graça Foster contratou o escritório Klein Advogados para fazer sua defesa na Operação Lava Jato. Paulo Márcio Ennes Klein, titular da banca, é advogado de um outro personagem emblemático, o ex-policial militar e ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, na época em que o filho do presidente exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio.

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Nesta sexta, 30, a revista Veja informou que Fabrício Queiroz está internado no Hospital Albert Einsten para tratamento contra um câncer no intestino.

Graça Foster protocolou petição na PF do Paraná em que comunica que constituiu o Klein Advogados para sua defesa e pede acesso à íntegra do inquérito ‘Pentiti’. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Graça Foster, que presidiu a Petrobrás entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2015, durante o mandato da ex-presidente Dilma, é investigada na Operação ‘Pentiti’, fase 64 da Lava Jato, deflagrada na sexta, 23.

A ‘Pentiti’ investiga supostos crimes de corrupção envolvendo o Banco BTG Pactual e a Petrobrás na exploração do pré-sal e ‘em projeto de desinvestimento de ativos’ na África.

Revelações dos delatores Antônio Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma, e do empresário Marcelo Odebrecht indicam que a ex-presidente da Petrobrás tinha conhecimento da corrupção instalada na petrolífera, mas não adotou ‘medidas efetivas’ para investigar ou impedir a continuidade do funcionamento do esquema bilionário que favoreceu cartel das gigantes da construção e políticos que lotearam diretorias estratégicas na empresa.

Documento

Nesta quinta, 29, Graça protocolou petição na Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná em que comunica que constituiu o Klein Advogados para sua defesa e pede acesso à íntegra do inquérito ‘Pentiti’.

Ela se colocou ‘à disposição’ da PF para prestar seus esclarecimentos ‘no dia e hora a serem aprazados, seja nesta ou em qualquer outra investigação porventura existente, sempre com vistas a poder contribuir na elucidação dos fatos’.

Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro (PSL). Foto: Divulgação

Paulo Klein defende Fabrício Queiroz no inquérito do Ministério Público do Rio que reúne dados compartilhados da Unidade de Inteligência Financeira, ex-Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Relatório do Coaf, revelado pelo ‘Estado’ em dezembro de 2018, apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz. Em abril de 2019, a Justiça do Rio determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário do amigo dos Bolsonaro e de outras 84 pessoas e 9 empresas, no período entre 2007 e 2018.

Os promotores sustentam que há indícios robustos de que uma organização criminosa comandada por Flávio Bolsonaro e operada por Queiroz desviou recursos públicos por meio da devolução parcial de salário pelos assessores, prática conhecida como ‘rachadinha’, e lavou dinheiro por meio de transações imobiliárias com valores de compra e venda fraudados.

Queiroz nega a prática de ilícitos.

Em defesa do banqueiro André Esteves, a advogada Sônia Cochrane Ráo declarou, no dia da deflagração da Operação ‘Pentiti’, que fez buscas em endereços do executivo. “Inexplicável e verdadeiramente assustadora a nova medida de força adotada sem qualquer motivo, baseada na desacreditada delação de Antônio Palocci, contra uma instituição financeira e um cidadão recentemente vítima de violento erro judiciário reconhecido por todas as instâncias judiciais.”

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