Governo põe à venda antiga sede da PF em São Paulo

Governo põe à venda antiga sede da PF em São Paulo

Ministério do Planejamento abre licitação para negociar prédio de 24 andares e 11 mil metros quadrados no Centro da Capital; preço mínimo é R$ 21,5 milhões

Fausto Macedo

09 Novembro 2015 | 15h00

Foto: Reprodução/Google StreetView

Foto: Reprodução/Google StreetView

O governo realizará na próxima terça-feira, 10, licitação na modalidade concorrência pública para venda de um prédio de 24 andares e 11 mil metros quadrados no Centro de São Paulo que durante cerca de 25 anos abrigou a Polícia Federal. O preço mínimo de venda é R$ 21,5 milhões.

O edifício fica na esquina da Rua Antônio de Godoy, com Avenida Rio Branco, junto ao Largo Paissandu. O edital foi preparado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Além da PF, o prédio central alojou o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mas está ocioso desde 2009.

O prédio da Rua Antonio de Godoy ficou célebre principalmente a partir do início dos anos 1980. O Brasil vivia sob a presidência de João Figueiredo, o último dos generais no poder – ele deixaria o Palácio do Planalto em março de 1985. O governador dos paulistas era Paulo Salim Maluf.

Em 1981, a PF prendeu o Nobel da Paz do ano anterior, o argentino Adolfo Pérez Esquivel. Em um evento na Capital, Esquivel criticou a Lei da Anistia (de agosto de 1979). Foi levado pelos agentes para o prédio da Antonio de Godoy.

A Superintendência Regional da PF era dirigida pelo delegado de Polícia Federal Nélson Marabuto. Naquela noite uma multidão cercou a sede da PF em protesto contra a detenção do Nobel da Paz. O episódio criou um grave mal estar diplomático. Maluf ligou para a PF pedindo que soltasse Esquivel preocupado com a repercussão mundial que a prisão iria causar inclusive para seu governo. Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo, foi à PF.

Decidido, Arns exigiu que Esquivel fosse solto. Horas depois, o Nobel da Paz estava em liberdade.

Dois anos depois, em 1983, a PF em São Paulo estava sob comando do delegado da Polícia Civil Romeu Tuma. Com a extinção do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), braço da Polícia Civil que sediava os porões da ditadura, Tuma assumiu a PF pelas mãos do coronel Moacyr Coelho, então diretor-geral da corporação. Tuma levou para o prédio da Antonio de Godoy um contingente de 127 agentes e delegados da Polícia paulista. Meses mais tarde, a equipe de Tuma prendeu no bairro do Morumbi, em São Paulo, o mafioso italiano Tommaso Buscetta. Levado para os Estados Unidos, Buscetta fez delação premiada e entregou as organizações mais poderosas do crime em seu País.

Em 1985, o prédio da Antonio Godoy voltou ao noticiário internacional. Alertado por autoridades americanas, alemães e israelenses, Tuma localizou em um cemitério no Embu, nos arredores de São Paulo, a ossada do carrasco nazista Josef Mengele.

Em 2003, a PF mudou para seu atual endereço, na Lapa. A velha construção da Antonio de Godoy está caótica.

Segundo a Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Planejamento, ‘qualquer pessoa física ou jurídica pode participar, tanto individualmente quanto em consórcio ou condomínio, no caso de pessoas físicas, da licitação de venda da antiga sede da Polícia Federal. Para concorrer, basta atender as exigências do edital como, por exemplo, efetuar o recolhimento da caução correspondente a 5% do preço mínimo especificado – R$ 1,079 milhão.

O coordenador de destinação de imóveis da Secretaria do Patrimônio da União (SPU/SP), Glauber Girotto, explica que ainda existem mais de 20 imóveis em São Paulo que podem ser vendidos. “Estamos resolvendo algumas questões nas inscrições dos imóveis que

Redução de gastos. Em outubro, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, declarou que a venda de imóveis da União faz parte de ação do governo para reduzir despesas e racionalizar gastos no âmbito da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Os imóveis em São Paulo integram o primeiro lote de vendas. Serão licitados 20 imóveis em 7 estados, totalizando R$ 94,8 milhões. A maioria encontra-se em estado precário de conservação, gerando custos aos cofres públicos, principalmente em relação à vigilância de 24 horas, Taxa de Limpeza Pública e condomínio.

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