Glaucos quer imagens de compadre de Lula no hospital

Glaucos quer imagens de compadre de Lula no hospital

Em petição ao juiz federal Sérgio Moro, defesa do engenheiro apontado como laranja do ex-presidente em propinas da Odebrecht requereu que Sírio Libanês entregue vídeos de suas câmeras de segurança com o fim de esclarecer 'inconsistências'

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

09 Janeiro 2018 | 05h57

Glaucos da Costamarques. Foto: Reprodução

A defesa do engenheiro Glaucos da Costamarques, apontado como laranja do ex-presidente Lula em propinas da Odebrecht, pediu ao juiz federal Sérgio Moro que ordene ao Sírio Libanês ‘esclareça erros e inconsistências’ e disponibilize as imagens de suas câmeras de segurança a fim de mostrar que o compadre do petista Roberto Teixeira entrou nas dependências do hospital.

Documento

Glaucos é réu em ação penal na qual Lula foi denunciado por supostamente receber R$ 12,5 milhões em propinas da Odebrecht. Ele é acusado de ser o laranja na compra e titularidade de um terreno onde seria sediado o Instituto Lula e do apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, que teria sido custeada pela empreiteira. O advogado também é réu na mesma ação pelo supostamente intermediar as negociações.

Em depoimento, Glaucos afirmou que, quando esteve internado no hospital Sírio Libanês, entre novembro e dezembro de 2015, recebeu o advogado Roberto Teixeira – também réu nesta ação pelo suposto intermédio da compra dos imóveis em benefício de Lula – e, no dia seguinte, foi visitado pelo contador João Muniz Leite, quando assinou diversos recibos de pagamentos referentes a 2015 de uma vez só.

Intimado a entregar os recibos de visitas ao suposto laranja de Lula, o hospital comunicou ao juiz federal Sérgio Moro que houve três visitas do contador a Glaucos, porém, nenhuma do advogado do ex-presidente. Moro voltou a pedir, desta vez, quaisquer registros de entrada de Roberto Teixeira, mesmo que não tenham sido para eventual visita a Glaucos.

Em 20 de outubro, o hospital voltou a ‘esclarecer que não localizou registros de ingresso de Roberto Teixeira ocorridos durante o segundo semestre de 2015’.

A defesa de Glaucos pediu que Moro oficie o ‘hospital Sírio Libanês para que (i) esclareça os erros e inconsistências presentes no registro de portaria entregue a esse r. juízo, no tocante à impossibilidade de diversas pessoas ali registradas terem, ao mesmo tempo, pernoitado no quarto de Glaucos da Costamarques; e (ii) disponibilize cópia não editada de todo o acervo de vídeos das instalações do hospital, relativos ao período de 23.11.2015 a 29.12.2015, quando esteve o acusado Glaucos da Costamarques lá internado, em especial (mas não se limitando a elas) das seguintes unidades de internação, conforme declaração em anexo do próprio hospital’.

O Ministério Público Federal entregou relatório sobre quebra de sigilo telefônico, nesta quinta-feira, 19, em que constatou que, durante o período de internação, Glaucos falou 12 vezes com o compadre de Lula.

Apartamento. A defesa do ex-presidente alega que Lula pagou pelo aluguel do apartamento em São Bernardo do Campo e que não aceitou o imóvel para a sede do Instituto.

Já a Lava Jato afirma, em denúncia, que o presidente nunca pagou os aluguéis do imóvel vizinho à sua residência, no edifício Hill House.

Lula entregou recibos ao juiz Sérgio Moro do pagamento dos aluguéis. Dois comprovantes apresentam datas que não existem no calendário. Parte dos documentos ainda apresenta os mesmos erros de ortografia. O Ministério Público Federal abriu investigação sobre a autenticidade dos recibos.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

“Requerimentos manifestamente descabidos somente se justificam por algum temor imposto ao Sr. Glaucos da Costamarques, que tem parentes envolvidos na operação Lava Jato.

Costamarques reafirmou inúmeras vezes que é o proprietário do apartamento alugado à família de Lula e o pagamento dos aluguéis foi comprovado pelos recibos com declaração de quitação anexados ao processo, com assinaturas reconhecidas pelo próprio empresário”.