Glaucos conversou 12 vezes por telefone com advogado de Lula quando esteve internado

Glaucos conversou 12 vezes por telefone com advogado de Lula quando esteve internado

Força-tarefa da Lava Jato apresentou relatório de quebra de sigilo dos investigados ao juiz Sérgio Moro após hospital alegar que não encontrou registros de visitas do compadre do ex-presidente ao engenheiro

Luiz Vassallo

19 de outubro de 2017 | 22h30

Glaucos da Costamarques. Foto: Reprodução

Enquanto esteve hospitalizado no Sírio Libanês, Glaucos da Costamarques, apontado como suposto laranja do ex-presidente Lula, trocou 12 telefonemas com o advogado do petista Roberto Teixeira, revela relatório de quebra de sigilo telefônico. O dado foi apresentado pela força-tarefa da Lava Jato no âmbito de incidente de falsidade instaurado sobre recibos de aluguel do apartamento vizinho à residência do petista em São Bernardo do Campo tratado pelos procuradores como suposta propina da Odebrecht. Segundo Glaucos, ele foi visitado por Teixeira enquanto estava hospitalizado um dia antes do contador João Muniz Leite aparecer no Sírio para que ele assinasse documentos referentes ao aluguel do imóvel. No entanto, o hospital não encontrou registros de visitas do advogado ao suposto laranja.

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Contador diz que recebeu comprovantes de Glaucos

“Os elementos trazidos vêm a corroborar a narrativa feita por Glaucos da Costamarques a respeito de ter sido contatado por Roberto Teixeira durante a internação, período em que o contador João Muniz Leite compareceu ao hospital levando recibos para a colheita de assinaturas referentes à simulada locação do apartamento 121”, diz a Procuradoria.

Para a força-tarefa da Lava Jato, a Odebrecht custeou a compra do apartamento, em nome de Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Na mesma ação, ele responde por também ter supostamente recebido da empreiteira terreno onde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,5 milhões.

A denúncia da Procuradoria da República sobre o apartamento 121, no edifício Hill House -vizinho à residência de Lula, em São Bernardo do Campo – ainda aponta que propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente, chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobrás.

A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015. A defesa do ex-presidente apresentou recibos de pagamento que contestam a versão dos procuradores. Dois comprovantes apresentam datas que não existem no calendário. Parte dos documentos ainda apresenta os mesmos erros de ortografia.O Ministério Público Federal abriu investigação sobre a autenticidade dos recibos.

Primo de José Carlos Bumlai, amigo do petista, Glaucos diz ter assinado recibos de aluguel em face da ex-primeira-dama Marisa Letícia referentes ao ano de 2015 enquanto esteve internado naquele hospital. Segundo o empresário, o contador João Muniz teria ido ao seu encontro para solicitar que rubricasse os documentos após uma visita anterior de Roberto Teixeira, advogado de Lula.

O Hospital, no entanto, disse não ter registros de visitas do defensor do petista a Glaucos. O juiz federal Sérgio Moro insistiu e enviou novo ofício ao Sírio para que identificasse entradas de Teixeira ‘a qualquer título’ , para internação, ou tratamento no período em que o primo de Bumlai estava hospitalizado.

O Ministério Público Federal juntou aos autos, nesta quarta-feira, 19, registros de 12 ligações entre Glaucos e Teixeira no período em que Glaucos estava hospitalizado.

Glaucos foi internado no dia 23 de novembro de 2015, um dia antes da prisão de José Carlos Bumlai na Operação Passe Livre. No dia 25, Roberto Teixeira ligou duas vezes ao suposto laranja.

As três visitas do contador João Muniz Leite a Glaucos da Costamarques se deram nos dias 3 e 4 de dezembro daquele ano. No dia seguinte ao encontro, Teixeira ligou mais uma vez, e ambos se falaram por cinco minutos.

No dia 6, o advogado de Lula voltou a ligar quatro vezes para Glaucos. A Lava Jato ainda encontrou outras cinco ligações até o dia 17 de dezembro, enquanto o empresário ainda estava hospitalizado.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

Com relação a apresentação, pelo MPF, de uma relação de registros de ligações entre Roberto Teixeira e Glaucos da Costamarques entre novembro e dezembro de 2015, a defesa do ex-presidente Lula esclarece que:

Após desmentido do hospital, Lava Jato cria nova versão

Os procuradores da Lava Jato criaram uma nova versão fantasiosa depois que a narrativa do proprietário do imóvel sobre os recibos de locação de 2015, que serviu de base para o questionamento sobre esses documentos pelo MPF, foi desmentida por 2 ofícios enviados pelo Hospital Sírio Libanês ao juiz Sérgio Moro. Os ofícios mostram que o Sr. Glaucos da Costamarques não foi visitado no hospital pelo advogado Roberto Teixeira enquanto estava internado, entre novembro e dezembro de 2015.

A Defesa do ex-Presidente Lula já demonstrou que além de os recibos apresentados conterem declaração de quitação dos aluguéis, prova mais plena de pagamento segundo a lei, os elementos constantes no processo confirmam que o proprietário recebeu os valores na forma contratada.

O Sr. Glaucos reconhece ser o proprietário do imóvel, pago por meio de cheques administrativos, o que desmonta a acusação do MPF de que a compra do imóvel teria sido feita por meio de valores provenientes de 8 contratos da Petrobras, o que jamais foi provado.

Constam no processo para confirmar a posição da defesa do ex-Presidente Lula, dentre outros elementos, os seguintes: (i) quebra do sigilo bancário do proprietário, mostrando que ele recebeu entre 2011 e 2015 diversos pagamentos em dinheiro, que superam em mais de sete vezes o valor total dos aluguéis; (ii) pagamento do carnê-leão sobre o recebimento dos aluguéis; (iii) declaração do contador de que recebia das mãos do proprietário e periodicamente os recibos de locação.

A Força Tarefa da Lava Jato volta a agir de modo desleal, ao anexar ao processo nesta data um relatório unilateral, com base em dados telefônicos que dispunha desde janeiro de 2017 e que em relação aos quais a defesa do ex-Presidente Lula não tem acesso. Mais uma vez faz-se uso de elementos “secretos” na ação, estranhos à acusação contida na denúncia, violentando a garantia constitucional da ampla defesa.

O MPF busca, ainda, confundir chamadas não efetivadas e ainda chamadas dirigidas a um ramal central com supostos telefonemas ao advogado Roberto Teixeira.

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