Giraffas condenada por gerente que chamou funcionária de macaca Chita

Giraffas condenada por gerente que chamou funcionária de macaca Chita

Tribunal Superior do Trabalho concluiu que atendente de uma lanchonete no Rio, obrigada a comer costela de porco fervendo, foi vítima de agressão física e racial e impôs à rede de fast-food pagamento de indenização de R$ 10 mil por danos morais

Stefano Wrobleski, especial para o Blog

20 de outubro de 2017 | 05h00

FOTO EPITACIO PESSOA/AE

A rede de lanchonetes Giraffas foi condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais a uma atendente de loja do Rio. A Justiça, em todas as instâncias, entendeu que a funcionária sofreu ‘agressão fisica e racial’ pela gerente da unidade, comparando a maneira como foi tratada ao que era dispensado aos escravos.

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A funcionária afirmou ter pego um pedaço de costela de porco durante o expediente para comer, quando foi repreendida pela gerente. Então, a chefe pediu que o alimento fosse levado à chapa para ser esquentado ao máximo. Em seguida, a gerente imobilizou a atendente com uma chave de braço e a forçou a comer a carne, enquanto a chamava de ‘chita’.

Chita foi um chimpanzé que brilhou em diversos filmes de Hollywood e a comparação com a funcionária, que era negra, foi considerada racista pela Justiça, o que agravou as agressões.

Por mais que a empresa tivesse ambiente cordial, ‘o ato de violência praticado é injustificável, tanto mais permeado por ofensa racista’, segundo o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de segunda instância, que considerou que o episódio reproduz ‘um passado ainda não suficientemente distante em que a escravidão era a sina dos africanos que aqui chegavam acorrentados, como se não fossem humanos’.

Por isso, o TRT avaliou que a indenização por R$ 10 mil ‘foi até modesta e, certamente, não repara as ofensas sofridas’, mas não reviu o valor.

O Giraffas é uma das maiores redes de refeições rápidas do Brasil. Criado em 1981 em Brasília, conta hoje com mais de 410 lojas, de acordo com o site da empresa.

Como foi forçada a comer um alimento muito quente, a empregada também sofreu queimadura de primeiro grau nos lábios e na laringe, que ficou comprovada por atestado da Unidade de Pronto Atendimento que a socorreu.

Em defesa, nos autos do processo, o Giraffas negou que a gerente agrediu a atendente e alegou que a empregada continuou trabalhando na loja sem problemas depois do ocorrido.

Usando como base outro laudo, que não apontou nenhuma lesão física à funcionária, a lanchonete sustentou não haver prova das queimaduras.

Com testemunhas apontando o contrário, os argumentos não foram aceitos em primeira e segunda instâncias e a condenação por danos morais foi mantida pela Quinta Turma do TST, que considerou, de forma unânime, que o Giraffas é reponsável pela agressão e ato de racismo.

COM A PALAVRA, GIRAFFAS

“A empresa esclarece que o processo em questão está em andamento e enfatiza que respeita e cumprirá quaisquer decisões judiciais. A rede ressalta que repudia todas as espécies de assédio moral, sexual e prática de racismo.”

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