Ginecologista é acusado de assediar 24 mulheres durante consultas em Vitória da Conquista

Ginecologista é acusado de assediar 24 mulheres durante consultas em Vitória da Conquista

Grupo protocolou denúncia junto à Ordem dos Advogados do Brasil na cidade baiana e criou perfil no Instagram onde relata conduta de Oscione Júnior; advogada do médico afirma que 'versões pessoais já estão sendo cobradas judicialmente'

Felipe Laurence, especial para o Blog

15 de maio de 2019 | 06h00

Reprodução/Instagram

O médico ginecologista Orcione Júnior, de Vitória da Conquista, está sendo acusado por 24 mulheres de assediá-las sexualmente durante consultas que realiza na rede pública e privada de saúde da cidade localizada no sudoeste da Bahia.

A reportagem fez contato com a clínica médica doutor Orcione Júnior. Não houve retorno do ginecologista. A advogada Palova Amisses Parreiras, sua procuradora, disse que ‘versões pessoais, cujas provas não existem e por isso não foram apresentadas pelas autoras das atitudes criminosas, já estão sendo cobradas judicialmente’.

A advogada destacou que essas ‘versões pessoais’ caluniam, difamam e denigrem ‘a imagem de respeitável médico da cidade de Vitória da Conquista’.

As primeiras denúncias foram feitas em um perfil no Instagram na última semana e, após a repercussão, as mulheres se dirigiram à Seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da cidade para pedir orientação.

Em nota, a OAB explica que as vítimas realizaram audiência com a diretoria da OAB local na última segunda-feira, 13, pedindo ‘apoio e providências contra o médico’.

‘A diretoria acolheu o pleito e prontamente encaminhou expediente às autoridades competentes, pugnando pela adoção das providências que o caso requer’, informou a OAB, em seu site, completando que está cumprindo seu papel público-institucional ao atender o pedido.

A nota continua afirmando que a OAB ‘permanecerá acompanhando o desenrolar dos procedimentos que serão adotados pelas autoridades, por considerar que é de relevante interesse social a elucidação dos fatos, ao tempo em que compromete-se ministrar apoio técnico-jurídico às ofendidas em seu direito e dignidade, o que fará por intermédio das Comissões temáticas envolvidas’.

As primeiras denúncias contra o ginecologista surgiram na sexta-feira, 10, no perfil @diganaovca, no Instagram, com os relatos das vítimas.

‘Bom, há dias estou pensando por onde começar, porque eu não queria ficar calada, pois sei que se aconteceu comigo, pode acontecer com outras garotas’, diz o primeiro post, onde a vítima afirma que o médico fez comentários sobre o seu clitóris, além de assediá-la durante a coleta de material.

Após o post inicial, outras mulheres compartilharam os casos de assédio envolvendo o médico com o perfil, o que causou a ida à OAB na segunda-feira.

COM A PALAVRA, ORCIONE JÚNIOR
O blog tentou entrar em contato com o médico Orcione Júnior. A reportagem fez contato com a clínica de Orcione solicitando retorno. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, PALOVA AMISSES PARREIRAS, PROCURADORA DO GINECOLOGISTA
Em e-mail endereçado ao repórter Felipe Laurence, a advogada Palova Amisses Parreiras, procuradora do ginecologista, atribui ao autor da reportagem ‘ameaça’ e intenção de ‘reportagem bombástica’, o que jamais ocorreu.

“Com relação a versões pessoais que tenham sido levados a públicos caluniando, difamando e denegrindo a imagem de respeitável médico da cidade de Vitória da Conquista, ainda na qualidade de sua procuradora, esclareço que se resumem apenas a versões pessoais, cujas provas que não existem e por isso não foram apresentadas pelas autoras das atitudes criminosas, já estão sendo cobradas judicialmente, através da ação judicial nº 000406346200198050274, que tramita perante o Poder Judiciário daquela cidade.

Como o assunto objeto da entrevista que o senhor solicitou está sub judice, ou seja, ainda está sendo apreciado pela Justiça, apenas quando houver manifestação legal por parte do juiz encarregado do caso, é que a imprensa poderá se manifestar noticiando os fatos, sendo importante destacar que a Maior Lei de nosso país, a Constituição Federal, determina que “todos são inocentes até que se prove o contrário”, o que neste caso não ocorreu.”

Atenciosamente,
Palova Amisses Parreiras
OAB/MG 55.542

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