Gim Argello transformou CPIs da Petrobrás em ‘balcão de negócios’, diz procurador

Athayde Ribeiro Costa, que integra a força-tarefa da Lava Jato, aponta que durante 'jantares regados a vinhos', o ex-senador e seu filho acertavam detalhes do esquema com empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

06 de maio de 2016 | 16h10

O ex-senador Gim Argello. Foto: Ed Ferreira/Estadão

O ex-senador Gim Argello. Foto: Ed Ferreira/Estadão

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou que o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) transformou as CPIs do Congresso abertas para investigar fraudes na Petrobrás em um “balcão de negócios”.

Denunciado formalmente nesta sexta-feira, 6, pelo Ministério Público Federal, em Curitiba, por cobrar R$ 5 milhões de pelo menos sete empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás para que seus executivos fossem blindados contra as Comissões Parlamentares de Inquérito.

Segundo o procurador, foi o presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, o primeiro a buscar Argello para acerto do esquema.

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“Léo Pinheiro se movimentou com toda sua habilidade que já existia no relacionamento público com congressistas e foi atrás de Gim Argello”, afirmou o procurador na apresentação pública da denúncia, em Curitiba. “Léo Pinheiro auxiliava Argello nos atos corrupção.”

Os encontros com o ex-senador ocorreram em “jantares regados a vinhos” na casa de Argello e de seu filho, sustenta o Ministério Público Federal. A denúncia diz que foram recebidos R$ 5 milhões da UTC, R$ 350 mil da OAS e houve ainda solicitação de valores de outras empreiteiras, como a Odebrecht, a Toyo Setal e a OAS que tiveram pagamentos efetivados. A Procuradoria apurou que no caso da Andrade Gutierrez, Engevix e Camargo Corrêa não houve efetivação de pagamento.

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