Gilmar vai relatar pedido de inquérito contra Aécio

Gilmar vai relatar pedido de inquérito contra Aécio

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao Supremo apuração sobre envolvimento do senador do PSDB e também do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em supostas irregularidades em Furnas

Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

11 de maio de 2016 | 15h31

Gilmar Mendes (à esq.) e Aécio Neves em visita ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional, em 2009. Foto: Omar Freire/Imprensa MG/DIVULGACAO

Gilmar Mendes (à esq.) e Aécio Neves em visita ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional, em 2009. Foto: Omar Freire/Imprensa MG/DIVULGACAO

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o relator do pedido de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou a solicitação à Corte máxima com base na delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), que relatou irregularidades em Furnas envolvendo Aécio Neves e também o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ministro Dias Toffoli será o relator do pedido de investigação contra Eduardo Cunha.

A distribuição é feita por meio de sorteio eletrônico.

Preso em novembro de 2015 por tramar contra a Operação Lava Jato, Delcídio foi solto após fechar delação em fevereiro deste ano. O ex-senador – cassado nesta terça-feira, 10, por unanimidade – afirmou em relação a Aécio, que “sem dúvida” o presidente nacional do PSDB recebeu propina em um esquema de corrupção na estatal de energia Furnas que, segundo o delator, era semelhante ao da Petrobrás, envolvendo inclusive as mesmas empreiteiras.

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O ex-líder do governo tem experiência no setor elétrico, conhece o ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, apontado como o responsável pelo esquema de corrupção, e disse ter ouvido do próprio ex-presidente Lula, em uma viagem em 2005, que Aécio o teria procurado pedindo que Toledo continuasse na estatal.

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Delcídio também ligou o presidente da Câmara a Furnas. O senador disse ‘Eduardo Cunha tinha comando absoluto da empresa, acredita que ele tenha recebido vantagens ilícitas’.

“Em relação a Furnas, Dilma teve praticamente que fazer uma intervenção na empresa para cessar as práticas ilícitas, pois existiam muitas noticias de negócios suspeitos e ilegalidade na gestão da empresa; que, ao que parece, “a coisa passou da conta”; que atualmente em Furnas praticamente toda a diretoria é de confiança de Dilma Rousseff; que a atual diretoria e absolutamente técnica e vários nem são de Furnas; que questionado até quando durou o esquema de ilegalidades de Furnas, respondeu que até uns quatro anos atrás, quando Dilma mudou a Diretoria, ou seja, ate a penúltima diretoria; que esta mudança na diretoria de Furnas foi o início do enfrentamento de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, pois este ficou contrariado com a retirada de seus aliados de dentro da companhia”, afirmou o delator.

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