Gilmar rejeita recurso do INSS contra salário-maternidade a indígena menor de 16

Gilmar rejeita recurso do INSS contra salário-maternidade a indígena menor de 16

Para ministro do Supremo, a norma constitucional que impede o trabalho a menores de 16 anos 'não pode ser interpretada para negar acesso a um direito que protege mulheres gestantes'

Redação

25 de abril de 2019 | 13h27

O ministro do STF, Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr / SCO-STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1086351, interposto pelo INSS contra decisão em que o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) havia reconhecido o direito de mulheres indígenas ao recebimento do salário-maternidade antes dos 16 anos. Segundo o ministro, a norma constitucional que impede o trabalho a menores de 16 anos não pode ser interpretada para negar acesso a um direito que protege mulheres gestantes.

As informações foram divulgadas no site do Supremo.

Antecipação

O caso teve origem em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o INSS para que se abstivesse de indeferir os pedidos de salário-maternidade a seguradas indígenas das comunidades Kaingangs da região de Erechim (RS) com base apenas no critério etário ou com este relacionado.

Amparado em laudo pericial em antropologia, a Procuradoria argumentava que, ‘de acordo com os costumes, usos e tradições dos Kaingangs, a maturidade feminina é aferida por fatores relacionais e comportamentais’ – o que justificaria a antecipação da idade para o acolhimento do benefício.

Recurso

O pedido foi julgado procedente pelo juízo de primeiro grau e pelo TRF-4.

No recurso extraordinário, o INSS sustentou que o artigo 11, inciso VII, alínea ‘c’ da Lei da Previdência Social (Lei 8.213/1991) estabelece a idade mínima de 16 anos para que haja enquadramento de pessoa física como segurado especial.
Ao afastar a incidência desse dispositivo, o TRF-4, segundo o INSS, teria ‘violado o princípio da reserva de plenário’.

A regra, prevista no artigo 97 da Constituição e reiterada na Súmula Vinculante 10 do Supremo, estabelece que a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo estatal só pode ser declarada pelo voto da maioria absoluta da totalidade dos membros do tribunal ou, onde houver, dos integrantes do seu órgão especial.

Jurisprudência pacífica

Gilmar, no entanto, assinalou que o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região está de acordo com a jurisprudência pacífica do STF de que as normas que regem a concessão de um benefício não podem ser interpretadas de modo a prejudicar os beneficiários.

Entre os precedentes citados, estão decisões sobre o direito do menor de 12 anos ao benefício por acidente de trabalho e sobre a contagem de tempo de serviço a trabalhador rural menor de 14 anos.

De acordo com o ministro, a decisão de segundo grau ressalta que estabelecer uma idade mínima para permitir o trabalho de menores é uma garantia constitucional em favor do menor.

“Portanto, impõe-se reconhecer o direito das indígenas menores de 16 anos ao recebimento de salário-maternidade, uma vez que a garantia constitucional que visa à proteção de menores não pode ser interpretada de modo a negar-lhes o reconhecimento de um direito legalmente assegurado”, concluiu.

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