Gilmar manda soltar indicado de Alexandre Baldy para Funasa, alvo da Lava Jato Rio

Gilmar manda soltar indicado de Alexandre Baldy para Funasa, alvo da Lava Jato Rio

Ministro do Supremo Tribunal Federal estendeu, neste sábado, 8, para Rodrigo Dias decisão dada a favor do secretário licenciado dos Transportes Metropolitanos do governo João Doria

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto

08 de agosto de 2020 | 19h52

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes mandou soltar neste sábado, 8, o ex-presidente da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) Rodrigo Sérgio Dias, primo do secretário licenciado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo Alexandre Baldy.

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Os dois foram alvo da Operação Dardanários, desdobramento da Lava Jato Rio, deflagrada na quinta-feira, 6. Dias se entregou na sexta à Polícia Federal em São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato Rio.

Segundo o Ministério Público Federal, Dias teria recebido propinas de empresários investigados por desvios de verbas da Saúde no Rio. Conforme o MPF, após ser indicado ao cargo por Baldy em 2016, o então presidente da Funasa firmou pagamento de propinas para ele e o primo em troca de contrato com a empresa Vertude, dos delatores Edson Giorno e Ricardo Brasil.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O acordo, segundo as investigações, previa que, em troca de um contrato de R$ 4,5 milhões,  Dias receberia R$ 250 mil de propinas. Baldy, R$ 900 mil.

Além da Funasa, Rodrigo Dias chefiou Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante a gestão Jair Bolsonaro (Sem partido). Ele foi demitido em dezembro do ano passado.

Também por decisão de Gilmar, Baldy foi solto neste sábado, assim como o pesquisador Guilherme Netto, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que seria o ‘contato’ dos empresários para direcionar e turbinar contrato firmado pela empresa Vertude com a Fiotec. A licitação fazia parte do acordo de propinas envolvendo Alexandre Baldy e Rodrigo Dias.

O ex-presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), Rafael Lousa, também teve a prisão temporária suspensa e foi solto. Ele é suspeito de utilizar do cargo estadual em 2014 para firmar contrato com a Vertude em troca de propinas para Alexandre Baldy, que teria recebido 15% do valor firmado em licitação que foi direcionada para atender aos interesses dos empresários.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO CRUZ BOTINI, DEFENSOR DE BALDY

Alexandre Baldy tem sua vida – particular e pública – pautada pelo trabalho, correção e retidão. Ao estar em cargos públicos, fica sujeito a questionamentos. Foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre não participou. Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação. A medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas.

COM A PALAVRA, O GOVERNADOR JOÃO DORIA

Os fatos que levaram as acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no Governo de São Paulo. Portanto, não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na condição de Governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça.

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