Ex-ministro de Dilma diz que Zelotes mudou foco para atingir Lula

Ex-ministro de Dilma diz que Zelotes mudou foco para atingir Lula

Gilberto Carvalho disse que só põe a mão no fogo pelo Executivo e que não pode dizer o que ocorreu no Legislativo

Andreza Matais, Fábio Fabrini e Beatriz Bulla, de Brasília

25 de janeiro de 2016 | 16h22

Foto: Reprodução

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O ex-ministro Gilberto Carvalho afirmou nesta segunda-feira, 25, que a Operação Zelotes mudou de direção para ter como foco o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi chefe de gabinete no período de 2003 a 2010. Carvalho prestou depoimento como testemunha de dois réus acusados de participarem de suposto esquema de “compra” de medidas provisórias editadas no governo do petista – os lobistas Alexandre Paes dos Santos e Cristina Mautoni. Ambos estão presos.

“Não tenho dúvida nenhuma de que o presidente Lula virou alvo preferencial. É evidente que a Operação Zelotes ganhou foco de grande publicidade neste caso por conta do presidente Lula, quando, na verdade, a operação deveria estar preocupada, sobretudo, com a restituição aos cofres públicos daquelas empresas que efetivamente fraudaram o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)”, disse, acrescentado esperar o mesmo empenho dos investigadores na apuração de ambos os casos.

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

 

O ministro afirmou, ainda, que o governo esta tranquilo com relação às medidas provisórias, mas que ele não poderia responder sobre o que ocorreu no Legislativo, onde as normas são votadas para ser convertidas em leis.”O foco dessa operação está completamente equivocado do ponto de vista do interesse do País. Quanto ao que aconteceu com as MPs no Legislativo eu não posso dizer nada. Eu não sei de nada. Não ponho a mão no fogo por ninguém. No caso do Executivo eu tenho a consciência tranquila e certa pela importância da Mps e seriedade das pessoas que eu conheço.” Algumas das MPs receberam emendas no Legislativo que beneficiaram montadoras.

A Operação Zelotes foi deflagrada no ano passado para desarticular esquema de corrupção no Carf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que julga recursos de grandes contribuintes a multas aplicadas pela Receita Federal. Grandes empresas pagaram a lobistas para ter multas reduzidas ou anuladas. Durante as buscas e apreensões foram encontrados documentos que revelaram suposto esquema de compra de MPs, o que motivou a abertura de uma nova frente de apurações.

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O caso da compra de MPs levou investigados à prisão. Por envolver réus presos, segundo os investigadores, a tramitação deve ser mais célere nesse caso. A justificativa é de que os pagamentos de montadoras para o suposto esquema ainda estavam em curso, o que justificou as prisões.

Carvalho é um dos investigados no inquérito que apura suposto esquema de venda de MPs. O nome dele esta registrado em papeis apreendidos com lobistas contratados por montadoras de veículos para conseguir no governo as normas que resultaram em prorrogação de incentivos fiscais. Já o ex-presidente Lula assinou as MPs. O filho dele, Luís Cláudio Lula da Silva, foi contratado por R$ 2,5 milhões por uma consultoria investigada por integrar o esquema.

Carvalho admitiu que recebeu de Mauro Marcondes, preso acusado de ser um dos lobistas, pedido para que o governo Dilma editasse uma nova MP prorrogando incentivos fiscais. Ele afirmou que não atendeu ao pedido. A presidente Dilma acabou editando a MP 627/2013 nesse sentido.

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