Gilberto Carvalho diz à PF que se afastou de Dilma por ‘divergências na maneira de conduzir o Governo’

Gilberto Carvalho diz à PF que se afastou de Dilma por ‘divergências na maneira de conduzir o Governo’

Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência depôs dia 10 e contou que conheceu pecuarista José Carlos Bumlai - preso na Lava Jato - em uma festa junina na Granja do Torto, em 2006

Beatriz Bulla e Gustavo Aguiar

19 de dezembro de 2015 | 05h00

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência do governo Dilma Rousseff) disse à Polícia Federal que ‘ se afastou da Presidenta por razões múltiplas, basicamente por divergências a respeito da maneira de conduzir o Governo’. Ele ocupou o cargo entre 2001 e 2015.

Seu depoimento ocorreu no dia 10 de dezembro no inquérito da PF que investiga organização criminosa envolvendo parlamentares de diversos partidos supostamente beneficiados pelo esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. A PF questionou Carvalho sobre o pecuarista José Carlos Bumlai.

Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai foi preso em 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato, por suspeita de corrupção e gestão fraudulenta na operação de empréstimo de R$ 12 milhões que tomou em 2004 junto ao Banco Schahin – valor cujo destinatário final, segundo ele, foi o PT.

Gilberto Carvalho disse que ‘conheceu Bumlai em uma festa junina na Granja do Torto após o ano de 2006, nâo sabendo precisar exatamente a data’. Segundo o ex-ministro, Bumlai lhe foi apresentado pelo deputado federal Zeca do PT, ex-governador do Mato Grosso Sul.

“Esteve com Bumlai por cerca de quatro ou cinco vezes, sempre em ocasi6es sociais”, declarou Carvalho. “Geralmente o encontrava em um evento de homenagem às Merendeiras do Programa Fome Zero; que nunca esteve ou viu José Carlos Bumlai no Palácio do Planalto. Sabe que Bumlai possui relaçao de amizade com o ex-presidente Lula; a relação de amizade entre Lula e Bumlai se iniciou através do hoje deputado federal Zeca do PT.”

Indagado pela PF se ‘os fatos de corrupção na Petrobrás’ foram considerados para a troca do ministro Mário Negromonte (Cidades, 2011/2012), ele afirmou que ‘formalmente não’. A PF pediu a Gilberto Carvalho que esclarecesse o termo ‘formalmente não’. “No caso do processo de afastamento do ministro Mário Negromonte, o declarante não acompanhou em detalhes; no caso de Mário Negromonte foi a ministra Ideli Salvatti quem acompanhou o desenrolar dos fatos que resultaram na exoneração de Mário Negromonte.”

Negromonte foi citado no âmbito da Operação Lava Jato pelo doleiro e delator Alberto Youssef. À Polícia Federal, Gilberto Carvalho disse que ‘havia uma insatisfação’ com a atuação de Negromonte e que Dilma incumbiu a ex-ministra Ideli Salvatti a escolher outro nome ‘que tivesse apoio da bancada do PP a fim de leva-lo à condição de ministro das Cidades’.

“A avaliação negativa a respeito de Mário Negromonte era da própria Presidenta e do Governo em geral; que nesta época vários ministros haviam saído em razão de denúncias de corrupção; que surgiram também boatos envolvendo o nome de Mário Negromonte; que havia boatos de que Mário Negromonte estava envolvido em casos de corrupção; que indagado a respeito de que exatamente tratavam estes boatos o declarante disse não se recordar no rnomento, sabendo que eram fatos relativos a ‘financiamentos’ e ‘verbas’.”

A PF perguntou a Carvalho ‘se era do conhecimento da Presidenta Dilma que pesava contra Mário Negromonte denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás’. O ex-ministro disse. “Nâo pode responder pela Presidenta Dilma.” Ele disse que ‘tomou conhecimento do esquema de corrupção instituído na Petrobrás quando os fatos foram noticiados pela imprensa.” Mário Negromonte sempre negou taxativamente envolvimento em irregularidades ou que tenha se beneficiado de propinas do esquema na Petrobrás.

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